Diz-se que Heráclito assim teria respondido aos estrangeiros vindos na intenção de observá-lo. Ao chegarem, viram-no aquecendo-se junto ao fogo. Ali permaneceram, de pé, (impressionados sobretudo porque) ele os encorajou a entrar, pronunciando as seguintes palavras: 'Mesmo aqui, os deuses também estão presentes'. (Aristóteles. De part. anim. , A5 645a 17ff).

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Um desejo de Ano Novo

Meu desejo de Ano Novo é que possamos viver a diferença com menos parcimônia. Que aprendamos o diálogo e que a intolerância não tenha vez. Que sejamos maduros o suficiente para que deus e sua vontade não sirvam como desculpas para que nossas inseguranças se transformem em leis. Que as certezas sejam menores e que nos exorcizemos das ideologias que matam e fazem sofrer.

Meu desejo é que sejamos mais humanos!

Feliz 2010!

Grandes beijos…

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Humano, demasiado humano

Cartaz Borra de café_finalm

 

Tenho tentado encontrar uma maneira de descrever minha impressão sobre o filme “Borra de Café” desde que tive a oportunidade de participar de sua pré-estreia no dia 08/12.

O curta-metragem de Aluízio Guimarães, que já tive a oportunidade de divulgar aqui pelo “Mansões” (cf.: Pré-estréia do curta “Borra de Café” ; e Nova produção do cinema paraibano), mostra uma Paraíba “verde” e “bem nutrida”, como era a intenção anunciada pelo diretor em sua fala antes da exibição. Mas mostra, sobretudo, uma Paraíba feita de seres humanos e não dos “heróis da seca” – seres quase mitológicos para os que somos de outras regiões do Brasil – , humanos como eu e você. Todos os personagens foram construídos a partir dessa noção belíssima de humanidade que ama e se desespera, mas vive.

O resultado? Um filme delicado, que trata de maneira feliz e emocionante os conflitos e os privilégios de nossa condição. Um filme rico, denso, feito para quem não teme olhar o prosaico da vida cotidiana com olhos de poeta. Um filme honesto, sem subterfúgios pseudo-intelectuais e pseudo-artísiticos. Um filme “humano, demasiado humano”, para tomar emprestado o dito nietzscheano.

Um filme pra se rever!

De minha parte sou grato por ter sido convidado para a pré-estreia de uma obra desse quilate. E, aproveito para parabenizar toda a equipe pelo resultado de um trabalho feito com muito suor e inegável talento.

domingo, dezembro 06, 2009

Religião e Homossexualidade

 

Igreja Anglicana reacende polêmica ao eleger bispa abertamente gay *

Escolha de lésbica em Los Angeles reforça divisões entre membros conservadores e liberais.

A Igreja Anglicana na cidade americana de Los Angeles reacendeu neste domingo uma enorme polêmica ao eleger o que será o segundo bispo abertamente gay da igreja em todo o mundo.

A reverenda Mary Glasspool, de Baltimore, foi eleita bispa assistente, mas ainda precisa que a maioria da Igreja Episcopal nacional apóie a escolha.

Há seis anos, a eleição do primeiro bispo abertamente gay, Gene Robinson, de New Hampshire, causou enormes divisões entre os clérigos e fiéis.

Glasspool, de 55 anos, atuou como cânone da Diocese de Maryland por oito anos.

Em um comunicado divulgado após a eleição, ela disse que "qualquer grupo de pessoas que tenha sido oprimido por causa de qualquer elemento isolado de sua personalidade clama por justiça e direitos iguais".

Divisões

Os conservadores já expressaram sua oposição à escolha da bispa.

Eles insistem que a Bíblia rejeita o homossexualismo, enquanto os mais liberais dizem que o livro deve ser reinterpretado sob a luz do conhecimento contemporâneo.

Na época da escolha do primeiro bispo gay, a briga levou à formação de um movimento alternativo conservador nos Estados Unidos, a Igreja Anglicana da América do Norte.

O chefe da comunidade anglicana mundial, o Arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, está sob pressão para reconhecer o movimento.

O correspondente da BBC para assuntos religiosos, Chris Landau, disse que a eleição de Glasspool é mais uma evidência das divisões da Igreja em relação à questão da homossexualidade.

Segundo ele, para muitos fiéis nos Estados Unidos, a eleição de bispos abertamente gays é simplesmente um reflexo da diversidade que vem sendo defendida pela Igreja Anglicana há muito tempo.

A Igreja Anglicana possui 77 milhões de fiéis em todo o mundo.

________________

* Fonte:

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1405052-5602,00-IGREJA+ANGLICANA+REACENDE+POLEMICA+AO+ELEGER+BISPA+ABERTAMENTE+GAY.html

Pré-estréia do curta “Borra de Café”

 

ANTÔNIO E ANA BEATRIZ - FACHADA DA CASA 3

Cultura cafeeira do brejo paraibano

é tema de curta-metragem

A pré-estreia será em 08 de dezembro durante o FEST Aruanda

No início do século XX, no brejo paraibano, era produzido o segundo melhor café do país. A informação é do diretor e roteirista Aluizio Guimarães, arrematando que "nosso café perdia apenas para o café produzido em São Paulo”. E para resgatar este aroma histórico escondido nos rios e vales paraibanos foi produzido o curta-metragem “Borra de Café”.

Para além de um simples curta-metragem, a trama promete levantar algumas polêmicas, uma delas é a ousadia impressa na narrativa. “Não são histórias reais, mas bem que poderiam ser”, observa Aluizio, confessando que muito do que escreveu foi baseado em causos e estórias contadas por pessoas da região.

Aliás, uma das características da produção é justamente a de retratar o cotidiano dos habitantes do Brejo. “É uma região pouco valorizada por sua beleza e história. No filme, tento mostrar que a Paraíba não é apenas solo rachado, sol escaldante e mandacaru”, destacou Aluizio.

“BORRA DE CAFÉ” - é um curta, com duração de 20 minutos, que tem como cenário as belas paisagens do brejo paraibano, onde será mostrado o drama de Antônio (Chico Oliveira), que no início do século XX (1908 a 1923), depois da morte da esposa, Maria (Suelaine Lima), se depara com a difícil situação de criar sozinho sua única filha, Ana Beatriz (Rayanne Araújo). Isolados em uma vale, recebendo esporadicamente a visita de dois amigos tropeiros, os dois desenvolvem uma forma peculiar de relação, que trará grandes consequências em suas vidas.

Trata-se de um curta-metragem de época, com uma rigorosa estrutura de Direção de Arte. A estrutura dramática do filme gira em torno de um núcleo familiar complexo. "Uma nudez que não despe e de uma dor que não grita" é assim que Aluizio exprime como serão apresentados os conflitos subliminarmente expostos na trama de "Borra de Café".

Tipo exportação - Após ser lançado e exibido em Campina Grande, João Pessoa, Matinhas, Olinda e Caruaru, o diretor tem outros planos de voo para o curta. É que "Borra de café" deverá ser posto à mesa dos inúmeros festivais de cinema no Brasil e no mundo, razão pela qual, será legendado em inglês, espanhol e francês.

O fato é que, embora o curta ainda esteja em fase de pré-estreia, ao que parece, será mais um dos muitos sucessos colecionados pelo autor, cuja produção teatral, a exemplo de "Água, areia e as maçãs" e “Inferno”, é bastante conhecida no meio artístico.Os interessados em sentir o sabor da obra já poderão fazê-lo. A pré-estreia está marcada para o dia 08 de dezembro em João Pessoa durante o FEST ARUANDA, no Hotel Tambaú, às 16 horas.

ANTÔNIO BEBENDO 2

Contatos:

amazilevieira@hotmail.com

(83)9972-0850

lucianomariz@gmail.com

(83)8858-0766 / (83)8841-9353

 

ANA BEATRIZ E ZÉ TROPEIRO - PORTA

Ficha técnica:

Direção: Aluizio Guimarães

Produção Executiva: Amazile Vieira

Direção de Produção: Luciano Mariz e Hingrit Nitsche

Direção de Fotografia: Helton Paulino

Direção e Edição de Som: Guga S. Rocha

Direção de Arte: Fernando Rabelo e Thaïs Gualberto

Figurino e Maquiagem: Iomana Rocha, Rebecca Cirino e Renato Barros

Edição e Finalização: Ely Marques

Elenco: Rayanne Araújo, Chico Oliveira, Suelaine Lima, Napoleão Gutemberg, João Demilton, Kaliuma Soares, Iris Bezerra e outros.

 

Geneceuda Monteiro

Jornalista DRT: 1.641

(83)9134-9075 / (83)2101-9031

gnceuda@paqtc.org.br

sábado, dezembro 05, 2009

Do “Fundamento da Moral”

 

Um texto de Marcel Conche *

Se eu fundamentar minha moral em minha religião, vocês contestarão minha religião em nome de uma outra religião ou da irreligião (se forem agnósticos ou ateus), e minha moral não passará de uma moral como as outras, de uma moral entre outras, uma moral particular. Só poderei dizer: esta é minha moral, vocês têm a sua, e eu a minha. Se eu fundamentar minha moral em minha filosofia, vocês contestarão minha filosofia em nome de uma outra filosofia ou da não-filosofia, e minha moral não passará de uma moral entre outras, sem nenhum direito de se impor. Se vocês contestarem a necessidade de fundamentar a moral, porque todos já dispõem de uma, acreditarei decerto que minha moral é a melhor, mas vocês acharão o mesmo da moral de vocês. Todas as morais terão igual direito de julgar o que é bom e o que não é. Então os assassinos de Buchenwald, Dachau, Auschwtiz, etc. estarão com a faca e o queijo na mão. Terem sido vencidos por uma força superior, mas da qual não será possível dizer que estava, mais do que qualquer outra, a serviço da verdade moral, terem sido vencidos, repito, será seu único erro.

Caso contrário, deve-se, em primeiro lugar, fundamentar a moral; em seguida, deve-se fundamentá-la não no particular – e uma religião ou uma filosofia são sempre particulares, porque existem outras – , mas no universal. O universal é o que deixa de lado todas as particularidades. Deixar de lado o que nos separa ou nos distingue é o que é feito no diálogo, quando se escuta. Eu falo, você escuta; você fala, eu escuto. Operamos ambos na redução dialógica, colocando de lado nossas crenças, nossas opiniões, nossas tradições, nossas particularidades de todos os tipos para estarmos exclusivamente atentos ao verdadeiro e ao falso. Realizamos o universal vivo por nossa operação recíproca. O que acontece então? Cada qual pressupõe que o outro pode apreender a verdade que é a sua verdade, mesmo que para cada um deles esta seja apenas a do outro. Ou: cada qual, simplesmente para poder dirigir-se ao outro, falar-lhe, pressupõe o outro como capaz da verdade. Por esse motivo, cada qual pressupõe o outro como seu igual. A partir do momento em que os desiguais dos regimes baseados em privilégios se dirigissem um ao outro que não fosse para julgar, louvar ou criticar, ou comandar sem réplica, colocariam em perigo, pelo simples fato de serem dois seres humanos falando um com o outro apenas para dizerem o verdadeiro e o falso, o próprio sistema que os estabelecia desiguais. É por esse motivo que privilegiados e não privilegiados não dialogavam e muitas vezes não se falavam. Ora, dessa igualdade de todos os homens, implicada no simples fato de se poder travar uma conversa de fato, extrai-se toda a moral – aquela que, diferentemente das morais coletivas particulares, é a mesma para todos e contém todos o direitos e deveres universais do homem. A moral baseia-se não nesta ou naquela crença, religião ou sistema, mas neste absoluto que é a relação do homem com o homem no diálogo.

* Fonte: CONCHE, Marcel. O fundamento da moral. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. XI-XII.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Da liberdade de opinião e de crença

Tudo tem limite, minha gente! Dia desses, voltando de João Pessoa com João, meu companheiro, num ônibus da empresa RealBus fomos surpreendidos por uma demonstração incontestável desse princípio.

Um senhor, trajado com farda da Polícia Militar do Estado da Paraíba, se levantou tão logo o ônibus ganhou a estrada e pediu a atenção de todos. Pensamos, naturalmente, que, como policial, ele teria algo importante para falar acerca da viagem, da estrada… Mas, qual não foi nossa surpresa quando este senhor começou a desfiar um “rosário” de frases prontas sobre como deus nos ama, de como ele enviou seu filho pra nos salvar do pecado e da morte, e de como somos livres para ir ao inferno por não acreditar na Bíblia. Foram bem uns quinze minutos e minha paciência chegou a seu limite. Ergui a mão e com a delicadeza que me é peculiar nestas ocasiões – perdoem-me esta pequena ironia – exigi que o referido “profeta” se calasse dizendo-lhe: –“ Porque você não imita deus e me dá liberdade de escolha? Não quero ouvir essa sua conversa! Não me interessa! Você já deu seu recado, chega!”. O homem resmungou mais algumas palavras, e se sentou. Não sem antes gritar: –“Leiam a Bíblia!”.

Depois desse episódio fiquei pensando: as pessoas estão perdendo a noção do que significa “liberdade de opinião e de crença e culto” – direito constitucional de todo cidadão brasileiro – e estamos à beira de uma nova onda de dogmatismo e de um estado controlado por ideologias religiosas.

Vejam, por exemplo, o caso das inúmeras tentativas de se aprovar o PLC 122/06 que criminaliza a homofobia. O projeto vem sofrendo tanta pressão contrária de setores religiosos conservadores – e isso mesmo depois de modificações significativas que ampliam a abrangência da lei para outros grupos minoritários e discriminados – que tenho a impressão de que o próximo passo será a proposta, por parte desses mesmos setores, de criminalizar a homossexualidade!

Exageros à parte – espero que seja mesmo um exagero meu – um dos principais argumentos destes grupos religiosos é que a aprovação do projeto de lei significará o cerceamento da liberdade de opinião e de culto. Curiosamente apelidaram o PLC de “lei da mordaça gay”, quando na verdade eles querem nos amordaçar para que não gritemos ante a violência, ante o desrespeito e a discriminação. Bem, não resta dúvida: este argumento é falacioso e tendencioso. De fato, como bem me recordou o amigo Marcelo Botticelli numa discussão recente a respeito do tema, o sentido do projeto tem sido deturpado e direcionado para a compreensão de que a lei, quando aprovada, fará apologia da homossexualidade. Algo como: –“Se você não for homossexual vai ser punido!”. Uma “bobagem sem temanho”, palavras dele, com as quais concordo sem tirar nem por.

O direito de livre expressão e de culto não significa poder dizer o que se quer, na hora que se quer e de quem se quiser. Isto também é uma “bobagem sem tamanho”. Como tenho advogado, a criminalização da homofobia encontra-se no mesmo patamar que a criminalização do preconceito de etnia (contra negros, amarelos, etc) e do preconceito contra a mulher e contra o idoso. Não se pode, embasado no direito de livre expressão, permitir que alguém - mesmo por razões religiosas - se refira aos negros como pertencendo a uma "raça" inferior. Também não se pode permitir, com base no mesmo direito, que se afirme sem mais que o mal (pecado) existe no mundo por causa da mulher; ou que o gênero feminino é inferior ao masculino. Da mesma maneira não se pode permitir que as pessoas de orientação homoafetiva sejam hostilizadas, desqualificadas, e menosprezadas com base na falácia de que se o projeto de lei for aprovado estaremos cerceando o direito de expressão de quem quer que seja.

É contra isso que o PLC 122/06 se levanta, e eu assino embaixo!

Para quem quiser conhecer o projeto de lei:

Bem como sua última (mais recente) configuração:

Abraços a todos!

sexta-feira, novembro 27, 2009

Notícias de minha visita à ASSEPE

 

Como havia anunciado anteriormente, estive presente no dia 24/11/09, a convite de Néventon Vargas, a uma reunião da ASSEPE (Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa) para falar acerca de minha pesquisa sobre a obra de Allan Kardec (1804-1869). De fato, já havia estado presente a outra reunião, no sábado (21/11/09), também a convite de Néventon, para um primeiro contato e aproveitando o fato de eu e João já estarmos em João Pessoa naquele final de semana.

Bem, vamos às impressões: o grupo é pequeno – em comparação às casas espíritas que tenho visitado ao longo da pesquisa – mas coeso. O que não significa que haja unanimidade em todas as questões. E, penso, este é o grande diferencial. Seus membros são vistos como indivíduos, e as idéias são debatidas amplamente, sem restrições. Criaram ali um espaço democrático em torno do estudo e da pesquisa espíritas como até então eu não havia conhecido.

Fui muito bem acolhido por todos, sem excessão. E logo criou-se um clima de amizade e cordialidade. Minha condição de não-espírita-leitor-de-Allan-Kardec foi amplamente valorizada. E, acredito que a veemência com que defendo minha interpretação da obra deste que é o criador do espiritismo, fez surgir a piada de que sou um “espírita enrustido” ou “desavisado”.

Nossa discussão, na noite de quarta, girou em torno do processo de formação identitária do espiritismo – fenômenos, doutrina e movimento – a partir da análise das interações deste com três instâncias de legitimação social: a ciência, a filosofia e a religião. Tudo isso, claro, no âmbito da obra kardeciana.

Foi um encontro muito enriquecedor. Fiquei imensamente satisfeito com as questões e controvérsias que foram levantadas. E, tomando como referência as manifestações dos membros desta Associação, a recíproca foi verdadeira.

Além da experiência de poder oferecer uma amostra de resultados parciais de minha pesquisa a um grupo de espíritas, de ver meus postulados questionados com tanta propriedade por pessoas que além disto, são também pesquisadores e intelectuais que defendem, dentre outras coisas o livre pensamento e o caráter laico do espiritismo; há ainda a experiência humana de adquirir num curto espaço de tempo, novos amigos e amigas.

Enfim, é isso aí: a vida é feita de encontros (e reencontros).

Grande abraço a todos e todas!

 

P.S.: A quem se interessar, o site da ASSEPE é:

http://www.assepe.org.br/

segunda-feira, novembro 16, 2009

Ditadura Gay

 

Um texto de Antônio Prata*

“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o país iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.

Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos “O início da Ditadura Gay no mundo!”. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.

Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com dezoito anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!

Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”

Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting, viveriam de esmolas? Bem, talvez não...

Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Déli sendo percorridas pela banda de Ipanema.

Se bem que... Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da Dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!

A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganha! Basta ir ao http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!

____________________________________

* Fonte: ( http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/?blog=83&c=1&page=1&more=1&title=ditadura_gay&tb=1&pb=1&disp=single )

Sinal de vida e algumas notícias

 

É, eu sei, tenho andado um pouco relapso com as Mansões… Tenho alguns posts na “agulha” para publicar, mas quero amadurecê-los melhor. E o tempo tem ficado escasso. Só para explicar – sem, contudo, justificar – a vida anda apertada. Por estes dias andei reescrevendo um trabalho, tentando transformá-lo em artigo, para enviar a uma revista de Ciências da Religião e Teologia. Finalmente ontem saiu… Agora é aguardar o parecer do editor.

Por outro lado tem a tese. Meu cronograma está atrasado – pra variar – e estive me torturando por causa disto. Agora resolvi relaxar. Não penso mesmo linearmente e cronogramas são para serem descumpridos! Brincadeira… O problema parece ser o fato de a tese estar toda organicamente interligada e é preciso pensar bem para evitar as repetições e as informações desnecessárias. O “oco” e o “eco”, como diria João Cabral de Melo Neto.

Na próxima semana, dia 25 de novembro, estarei presente a uma das reuniões ordinárias da ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa – a convite de Néventon Vargas para uma conversa acerca de minha pesquisa da temática do “tríplice aspecto” na obra de Allan Kardec. Depois conto como foi.

Abraços, beijos e quetais!

quarta-feira, outubro 28, 2009

Divulgação

 

 

Em Campina Grande, o evento está em sua 3ª edição, e pela segunda vez acontecerá no Auditório da Unidade Acadêmica de Arte e Mídia na Universidade Federal de Campina Grande. Novamente, contará com uma mostra de animações produzidas pelos graduandos do curso de Arte e Mídia. Uma novidade será a criação de um Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento em Animação.

Horário: 19h30m

Coordenação Local: João de Lima Neto

Apoio: Unidade Acadêmica de Arte e Mídia – UAAMI

quinta-feira, outubro 22, 2009

Onde estão nossos heróis?

Alunos da 4ª série brincam de tráfico em escola pública gaúcha

Professora flagrou aluno que embalava pó de giz, simulando cocaína.
Na brincadeira, grupos teriam de conquistar bocas de fumo.

Do G1, em São Paulo, com informações do ClicRBS*

Crianças de uma escola pública de Sapucaia do Sul (RS) substituíram o esconde-esconde ou pega-pega por outra brincadeira que mostra como o tráfico influencia o cotidiano infantil na Região Metropolitana. Elas começaram a brincar de traficante.
Segundo testemunhas, eles quebraram o giz da lousa, moeram até que virasse pó e embalaram em plásticos. Na brincadeira, grupos teriam de angariar mais usuários e conquistar bocas de fumo. O caso ocorreu em sala de aula e envolveu crianças da quarta série do ensino fundamental, entre nove e dez anos. O nome da instituição será mantido em sigilo para preservar os alunos, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.


"Isso ocorreu, mas a gente conversou com eles e eles pararam", assegurou a diretora do colégio, sem dar detalhes.


Segundo uma professora, a descoberta aconteceu por acaso. Ela conta que uma colega perguntou a um aluno por que ele estava quebrando giz. Foi quando a criança mostrou os sacos plásticos com pó.


Para o doutor em Educação Euclides Redin, professor de políticas de educação infantil da Unisinos, o ideal é que a brincadeira sirva de alerta para tentar mudar a ligação das crianças com o mundo das drogas.


"Casos como esse devem chamar a atenção da comunidade para mostrar que a criança está vivendo em locais onde o tráfico tem força grande. Se a gente tirar essa realidade do cotidiano delas, certamente vão brincar de outras coisas", afirmou.


Subcomandante da Brigada Militar de Sapucaia do Sul, o capitão Célio Vargas de Oliveira concorda com o especialista. Ele soube da brincadeira por uma informação anônima e pretende combinar palestras nas escolas.


"A brincadeira não é um crime, e sim um reflexo do que essas crianças convivem no dia a dia, em suas comunidades e, às vezes, até dentro da própria casa. Em Sapucaia, perto de escolas sempre tem uma invasão, que são os locais onde mora a maioria dos traficantes. Se o ponto não é na frente do colégio, fica a três, quatro quadras", afirmou o oficial.

Alerta

A brincadeira alarmou a Secretaria Municipal de Educação. O secretário Adilpio Zandonai reunirá as 26 escolas de Sapucaia do Sul para tratar sobre o avanço das drogas entre os adolescentes.
"Pode ter sido em tom de brincadeira, mas temos de coibir e acabar com isso", disse o secretário.
(*Com informações do jornal Zero Hora)

 

Matéria disponível em:

http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1350686-5604,00-ALUNOS+DA+SERIE+BRINCAM+DE+TRAFICO+EM+ESCOLA+PUBLICA+GAUCHA.html

quarta-feira, outubro 21, 2009

Circuito Musical em São João del-Rei

 

cmer_logo

O Projeto “Circuito Musical Estrada Real” surgiu em 2006 na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, coordenado por Ângela Nogueira e Maurício Veloso, com intuito de preservar e divulgar a música erudita e popular na Estrada Real. Para tanto, se estabeleceu como uma rede de apoio e fortalecimento do potencial cultural e artístico, na área da produção e projeção musical e turística local.

O projeto será organizado em cinco núcleos regionais, abrangendo os municípios circunvizinhos, constituídos por músicos, suas organizações, entidades públicas e privadas que atuam junto à área da cultura/música. Atualmente, há apenas um núcleo estruturado em São João del-Rei. A rede articulada entre os músicos e municípios é interativa e se aproveita de conexões já existentes, nas quais a música e a comunicação são centrais para a mobilização e divulgação da própria rede.

A rede em questão vem sendo formada a partir da coleta de dados dos músicos e bandas dos municípios da região. Atualmente, 35 municípios participam do projeto. Estes são: Andrelândia, Antônio Carlos, Barbacena, Barroso, Bom Sucesso, Carandaí, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Cruzília, Desterro de Entre Rios de Minas, Dores dos Campos, Entre Rios de Minas, Ibertioga, Ibituruna, Jaceaba, Lagoa Dourada, Luminárias, Madre de Deus de Minas, Mindurí, Nazareno, Oliveira, Passa Tempo, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, Santa Rita de Ibitipoca, Santo Antônio do Amparo, São Brás do Suaçuí, São João del-Rei, São Tiago, São Vicente de Minas e Tiradentes.

Para quem busca mais informações, o projeto tem um portal virtual (www.musica.ufmg.br/circuitomusical/) e um e-mail institucional (circuitomusical@musica.ufmg.br). Além disso, há um boletim eletrônico que é enviado para os músicos que já foram cadastrados no banco de dados. O boletim já está na sua quarta edição.

O Programa Circuito Musical Estrada Real é uma proposta que se soma à iniciativa do estado de Minas Gerais na promoção de um dos principais roteiros turísticos do Brasil, fora da área litorânea. Ele conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), Prefeituras locais, Conservatório Estadual de Música Padre Maria Xavier e Núcleos de Interiorização de Cultura dos municípios citados.

Em 24 de outubro do corrente ano, às 10h no Largo das Mercês em São João del-Rei, será realizado um grande encontro das bandas regionais. Este evento será a abertura da semana de sopros do Conservatório Estadual de Música Padre Maria Xavier. Inicialmente, as 13 bandas se reunirão e tocarão algumas músicas juntos. Depois, elas sairão pelas ruas da cidade, tocando repertório próprio, junto ao público que as acompanhará. Estarão presentes as bandas das cidades de Coronel Xavier Chaves, São Tiago, Cruzília, Lagoa Dourada, São João del-Rei, Ibituruna, Resende Costa, Carrancas, Prados, Andrelândia, Dores de Campos e Madre de Deus de Minas. O evento é gratuito e espera grande público.

(Texto enviado por Rosângela Oliveira - Diretora de Promoções ACI del-Rei / Assessoria de Comunicação Autoria Design e Eventos)

sexta-feira, outubro 16, 2009

As “Minhas Gerais”

 

Igreja do Rosário SJdR by Savinho (Vista da Igreja do Rosário em São João del-Rei/MG. Foto de Sávio Silva)

Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da UFJF abre inscrições para Mestrado e Doutorado

 

Seleção Doutorado e Mestrado PPCIR-UFJF

Data: 15 de outubro de 2009

Já foram publicados os editais para os processos seletivos para as turmas de 2010 dos cursos de Doutorado e de Mestrado em Ciência da Religião. As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de novembro. As provas serão aplicadas de 07 a 09 de dezembro.

 

Maiores informaçoes pelo site:

 http://www.ufjf.br/ppcir/2009/10/15/editais-doutorado-e-mestrado/

sexta-feira, outubro 09, 2009

Nova produção do cinema paraibano

 

Entrevista com os realizadores do curta "Borra de Cafe" ao programa “Diversidade” (TV Itararé/Cultura).

quinta-feira, outubro 08, 2009

Comentando o texto de Greschat

 

Depois de publicar o texto de Hans-Jürgen GRESCHAT penso ser importante fazer alguns comentários ao mesmo, a fim de que não fique a impressão de que eu concorde com ele em sua integridade. Obviamente concordo com a distinção primária que GRESCHAT faz entre os teólogos e os cientistas da religião, e que é a raiz de todo o trecho reproduzido aqui. “Os teólogos são especialistas religiosos. Os cientistas da religião são especialistas em religião”. Esta distinção é também o centro de meu argumento no texto “Então, Augusto, deus existe?”, publicado anteriormente.

Há, sobretudo, um ponto que gostaria de comentar e que diz respeito à afirmação: “Enquanto os teólogos investigam a religião à qual pertencem, os cientistas da religião geralmente se ocupam de outra que não a sua própria”. Lida apressadamente esta frase pode nos fazer acreditar que GRESCHAT está defendendo que somente alguém religioso poderia se ocupar da Ciência da Religião. Claro que isto não é necessariamente assim, e nem me parece ser esta a visão do autor. De fato acredito e defendo que o melhor é que o cientista da religião não seja religioso. Inclusive para evitar o risco de ver sua atividade de pesquisa confundida com aquela do teólogo.

Evidentemente este não é, em minha opinião, um requisito absoluto. Pessoalmente tenho visto muitas pesquisas de colegas que, pertencendo a determinado credo religioso, mantêm sua integridade como pesquisadores não transformando seu labor em apologia de sua religião – mesmo quando a têm por objeto de estudo - ou crítica teologicamente motivada a qualquer outra religião diferente da sua.

No entanto, concordo com o autor quando este afirma que, para que alguém se diga cientista da religião, será necessário distanciar-se criticamente de seu objeto, sem se comprometer a priori com qualquer posicionamento ideológico, seja ele religioso ou teórico.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Dante e Virgílio no Inferno

 

(Um quadro de William Adolphe Bouguereau)

Dante-et-Virgile-au-Enfers-(Dante-and-Virgil-in-Hell)

O que distingue os teólogos dos cientistas da religião?

(Um texto de: Hans-Jürgen Greschat)

Os teólogos são especialistas religiosos. Os cientistas da religião são especialistas em religião. Essa diferença diz respeito a pontos essenciais:

1) Enquanto os teólogos investigam a religião à qual pertencem, os cientistas da religião geralmente se ocupam de outra que não a sua própria. A tarefa do teólogo é proteger e enriquecer sua tradição religiosa. É sua religião que está no centro do seu interesse. A sede de saber teológico diminui à medida que se afasta desse centro. (…).

Os cientistas da religião não prestam um serviço institucional como os teólogos. Não são comandados por nenhum bispo, nem obrigados a dar satisfação a nenhuma instância superior. São autônomos quanto ao seu trabalho. (…) Todavia, os cientistas da religião também têm seus focos temáticos – portanto, quanto mais um assunto deles se afasta, menos acentuado é seu interesse acadêmico. (…)

 

2) Os cientistas da religião optam pela pesquisa de uma determinada religião. Pode ser qualquer uma – potencialmente a escolha é limitada em termos históricos, geográficos ou tipológicos. Há apenas um critério que reduz o espectro dos seus possíveis objetos de estudo: a própria incompetência. Quem não compreende a língua dos adeptos de uma religião, não suporta o clima da região onde ela se encontra ou pensa que a fé em questão não tem valor deveria optar pela pesquisa de um outro objeto. Os teólogos não têm essa liberdade, uma vez que apenas se ocupam de uma religião alheia quando existe a necessidade de comparação com a sua própria. Todavia, quando isso acontece, são obrigados a estudá-la (…).

 

3) Quando os teólogos estudam uma religião alheia, partem da própria fé. Ao investigarem como os outros concebem seu deus, crença ou pecado, tomam a própria religiao como referência. De acordo com seus critérios, avaliam os demais sistemas como “mais próximos” ou “mais distantes” de sua própria religião, ou, até mesmo, enquadram-nos em julgamentos que determinam categorias do tipo “o objeto traz algumas características religiosas” ou “apenas magia”. Todavia, se algo é natural e indubitavelmente visto como semelhante, criam facilmente pontes entre a própria religião e a outra. Procedimentos desse tipo geralmente não possibilitam um encontro com o outro, ou seja, não chegam a um verdadeiro conhecimento de outra fé. Em outras palavras: são estritos demais para aprofundar a relação com o objeto de estudo.

Não é oportuno para os cientistas da religião avaliar outra fé com base na própria. Eles têm a liberdade de pesquisar uma crença alheia sem preconceitos. A questão é apenas saber o quanto dessa liberdade eles suportam. É mais fácil descobrir algo quando se sabe com antecedência o que procurar; por conta disso, há cientistas da religião que têm por costume apropriar-se de critérios já estabelecidos para classificar elementos ou universos como “animismo”, “magia” ou “politeísmo”. Isso significa que não apenas preconceitos religiosos, mas também atitudes intelectuais podem distorcer a compreensão de fenômenos pesquisados no âmbito da Ciência da Religião.

 

4) Os fiéis de uma determinada crença é que vão informar se entendemos adequadamente uma fé alheia. Consultar adeptos de uma religião pesquisada é um teste de segurança que permite diferenciar descrições válidas e não válidas do ponto de vista da história da religião. Os teólogos têm meios próprios para distinguir o que é “verdadeiro” e o que é “falso” na área da religião. Para eles, a própria fé – e não a de outras pessoas – é a norma decisiva, uma vez que apenas ela é considerada verdadeira em oposição às outras, que são avaliadas como falhas.

(GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que distingue os teólogos dos cientistas da religião? In: ______. O que é Ciência da Religião? Paulinas: São Paulo, 2005. p. 155-157. Excertos. Tradução: Frank Usarski.)

segunda-feira, outubro 05, 2009

“Então, Augusto, deus existe?”

 

Há alguns dias uma amiga, ao saber que tenho me dedicado ao estudo dos fenômenos religiosos, me perguntou à “queima roupa”: - “Então, Augusto, deus existe?”. Sua pressuposição era que, sendo doutorando em Ciência da Religião, eu deveria constantemente me debruçar sobre esta questão e ter, ao menos provisoriamente, uma resposta “erudita” sobre o tema. Ou, quem sabe, ela só queria começar amigavelmente uma conversa tocando num assunto que todo mundo sabe que me instiga.

 

Bem, o fato é que esta não foi a primeira vez, e possivelmente não será também a última, que me fazem este tipo de questão. Acredito que vários colegas do campo disciplinar da Ciência da Religião passam por experiências semelhantes não muito raramente. As pessoas às vezes pensam que faço algo ligado diretamente à Teologia. Que serei padre, pastor, capelão de alguma coisa… ou, simplesmente, que por estudar o Espiritismo eu seja algo como um “teólogo espírita”, se algo assim fosse mesmo possível.

 

Não é nada disto! Aliás, esta é a mesma confusão que o Ministério da Educação e Cultura tem feito ao propor, através da Consulta Pública dos Referenciais Nacionais dos Cursos de Graduação, que os cursos de graduação que hoje levam a nomenclatura “Ciência da Religião” (e suas variações tais como Ciências da Religião; Ciencias das Religiões e Ciência das Religiões), sejam todos subssumidos sob o nome genérico “Teologia”. O que mostra a incompreensão generalizada sobre esta área acadêmica, ainda incipiente no Brasil, mas com larga tradição na Europa e na América do Norte.  O MEC, sob o pretexto de promover uma “convergência de denominação”, ignora as peculiaridade epistemológicas tanto da Teologia quanto da Ciência da Religião.

 

Bem, a questão que dá título a este post é apenas um exemplo de como a Ciência da Religião dista da Teologia. O cientista da religião não precisa pressupor a existência de deus (ou de deuses), nem a sua não-existência, para executar bem seu trabalho. Ele não precisa nem mesmo ser religioso para tanto. Em minha opinião é até melhor que não o seja, a fim de evitar que seu trabalho, sua pesquisa, se torne apenas um trabalho de apologia de sua crença pessoal. Ao contrário, embora muitas vezes a Teologia já não se debruce mais sobre a questão da existência de deus, ela pressupõe não só uma resposta afirmativa a esta questão, mas a possibilidade de que este deus se comunique e transmita sua vontade ao mundo.

 

De minha parte, no que toca a esta questão,  faço como fiz com aquela amiga, devolvo a pergunta: E aí, pessoal, deus existe?