Diz-se que Heráclito assim teria respondido aos estrangeiros vindos na intenção de observá-lo. Ao chegarem, viram-no aquecendo-se junto ao fogo. Ali permaneceram, de pé, (impressionados sobretudo porque) ele os encorajou a entrar, pronunciando as seguintes palavras: 'Mesmo aqui, os deuses também estão presentes'. (Aristóteles. De part. anim. , A5 645a 17ff).

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Nova Fase em Juiz de Fora e adjacências...

Há poucos dias recebi algumas mensagens de amigos pedindo notícias via blog. Bem, aí vão elas:

Em dezembro passado me submeti ao exame de seleção para o Doutorado em Ciência da Religião, do Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG, e fui aprovado. Portanto, a partir de Março próximo estarei novamente em Juiz de Fora.

Ainda não sei se morarei por lá, ou se ficarei em Barbacena (na casa de meus pais), enquanto curso os créditos. De qualquer forma, estarei nas Minas Gerais a partir de 13 de fevereiro próximo.

Meu projeto se intitula: "O Espiritismo, esta loucura do século XIX": Ciência, Filosofia e Religião nos escritos de Allan Kardec. Em outra oportunidade escrevo um pouco mais sobre a pesquisa.

That´s all folks!
Abraço pra quem é de abraço. Beijo pra quem é de beijo.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Saiu na mídia

23/01/2008 - 08h31


Casais gays são 'mais satisfeitos com relação', diz estudo
Dois estudos americanos publicados nesta semana sugerem que casais do mesmo sexo são tão ou mais comprometidos e satisfeitos com a relação do que os casais heterossexuais. As duas pesquisas - uma realizada na Universidade de Illinois e a outra nas universidades de Washington, San Diego e Vermont, nos Estados Unidos- compararam vários fatores da relação de casais do mesmo sexo e heterossexuais. O primeiro estudo analisou o nível de satisfação entre casais de diferentes orientações sexuais, além do impacto da legalização da relação (casamento ou união civil) na qualidade do relacionamento. Nesta pesquisa, os cientistas ressaltam que os casais do mesmo sexo estavam mais satisfeitos com a relação que os casais heterossexuais, independente da formalização do relacionamento. No segundo estudo, os psicólogos observaram a interação entre os casais e indica que os casais do mesmo sexo têm uma visão positiva e comprometida sobre o relacionamento, similar a dos casais heteros. As pesquisas contrariam os estereótipos vinculados aos casais homossexuais sobre a promiscuidade e a falta de comprometimento. Os estudos fazem parte da edição especial de janeiro da revista científica Developmental Psychology, que traz uma seção sobre orientação sexual.
Formalização Os pesquisadores analisaram 442 casais heterossexuais e homossexuais, casados, em união civil e casais sem status legal durante um período de três anos. O estudo indica ainda que os casais do mesmo sexo apresentam uma visão mais positiva dos parceiros e tinham menos brigas que os casais heterossexuais casados. De acordo com Kimberly Balsam, que liderou a pesquisa, a pressão da sociedade pode ser a causa dos casais héteros permanecerem na relação, mesmo que infelizes. "A maioria dos casais homossexuais em relação duradoura permanecem juntos por vontade própria já que não têm a sociedade a seu favor", disse. Este foi o primeiro estudo que realizou um acompanhamento de casais do mesmo sexo durante um período longo. Interação No segundo estudo, os pesquisadores analisaram a interação de 30 casais gays, 30 casais de lésbicas, 50 casais heterossexuais, além de 40 casais idosos casados e casais heterossexuais em início de namoro. A pesquisa foi feita com base nas respostas para um questionário e na observação da interação entre os casais durante uma sessão de laboratório, onde foram monitorados o batimento cardíaco e a temperatura da pele para indicar o nervosismo dos participantes. Os resultados indicam que casais do mesmo sexo são muito parecidos com casais heteros, e apresentam uma visão positiva sobre o relacionamento. A pesquisa aponta ainda que, entre os participantes, aqueles casados e mais comprometidos, independente de orientação sexual, resolviam os problemas com mais facilidade. Segundo os autores, as lésbicas demonstraram mais harmonia durante a sessão no laboratório que outros casais heteros e do mesmo sexo.
"Os comportamentos atípicos, imaturos e malevolentes atribuídos aos casais homossexuais não foram comprovados pela nossa pesquisa", afirmou Glenn Roisman, principal autor do estudo.

terça-feira, dezembro 19, 2006

E agora que o fim do ano se aproxima...


... muitas reflexões podem ser feitas. E eu teria várias a compartilhar com vocês. Poderia dizer, por exemplo, como o tempo passou rapidamente. Ou, quem sabe, poderia falar dos projetos para o ano vindouro. Até mesmo poderia colocar uma mensagem de final de ano que falasse de esperança de dias melhores, onde senadores e deputados não se auto-concedessem aumentos salariais exorbitantes. Mas, nada disso seria eu mesmo.
O que sou de maneira absoluta também me escapa. Não tenho domínio sobre isso. Somente possuo a experiência cotidiana com aquilo que alguns chamariam de mente. E, nos últimos tempos, tenho angariado uma vasta experiência, eu lhes garanto. Observar os movimentos desta minha fonte de identificação tem me feito refletir muito. Perceber que seus desejos, caprichos, e qualidades excepcionais formam, ao menos temporariamente, algo que posso dar um nome, o meu nome. Hoje, estou mais convicto de que não devo fugir destas identificações, mas ao contrário, assumí-las para dar-lhes um sentido próprio e único. Pois, se há alguma chance de felicidade se encontra no momento presente e naquilo que se é agora.
Dito isso sou até capaz de fazer planos, ou antes, de me abrir para as possibilidades que o futuro pode me reservar. Mas, este é um outro capítulo, ainda a ser escrito.
Beijo grande a todos!

quarta-feira, novembro 29, 2006

Uma ilustração de mim.

Cântico sagrado.

Quando à força das palavras
entrego-me impotente, no fundo
vazio de mim mesmo, experencio
o silêncio em toda sua real eloqüência.

E todas as coisas emergem de seu
abismo escuro em cores e formas
com a intensidade do verdadeiro.

No centro, para onde tudo converge,
simultâneo o deus se alegra e se retira,
se expande e, em seu ser, tudo retrai:
os nomes se dão.

E em mim, de ouvidos moucos
a todo o resto, reverbera como em
catedral a palavra misteriosa
que tudo revela.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Quando a Educação guia o Turismo.

São João del Rei (MG) está na vanguarda ao incluir um programa de educação patrimonial no currículo escolar. Medida, que conta com o apoio da Unesco, é uma dentre várias que promete mudar a relação entre a cidade, moradores e turistas.

Perceber a vocação de uma cidade é o primeiro passo para se trabalhar no desenvolvimento desse potencial. Parece óbvio que São João del Rei deve se atentar para o turismo cultural e de lazer. Há muitos motivos para tal, em que se notabiliza o enorme patrimônio cultural e natural aqui presente. Mas nada acontece fortuitamente. A cidade não é a única a oferecer tais atrativos e precisa criar uma estrutura e um ambiente receptivo aos visitantes. Mais importante ainda: fortalecer os laços dos são-joanenses com sua terra natal, conscientizando-os da importância da conservação.

Preservar a memória de um povo é uma das melhores formas de alcançar esse objetivo. Ciente dessa necessidade, Maria Teresa Resende Raposo apresentou ao programa Monumenta, da Unesco, o projeto “AQUI A EDUCAÇÃO GUIA O TURISMO”. Aprovado, o projeto passou a receber verbas para investir na educação patrimonial, cidadania cultural e turismo cultural. Muitas atividades foram executadas no último ano. A atividade mais recente é a mais motivante para Maria Teresa. Trata-se da Jornada Municipal do Patrimônio, produto da implementação do programa municipal de Educação Patrimonial (lei 3.826, de 03 de março de 2004).

A Jornada envolve oficinas, feiras, mostras e palestras de educação patrimonial nas escolas municipais, organizadas pelas Supervisoras Municipais qualificadas como Multiplicadoras da Metodologia da Educação Patrimonial. Elas trabalham Lm programa de diretamente com as crianças da rede municipal. Escolhem um bem patrimonial considerado importante e realizam uma série de trabalhos envolvendo o bem escolhido. Desde pinturas e colagens até entrevistas com pessoas ligadas àquele patrimônio. Por fim, elaboram uma ficha de catalogação e registram, simbolicamente, o bem no LIVRO DO TOMBINHO.

Faz parte da jornada uma disputa no quadro quizz, do programa Vivacidade da Rádio Vertentes FM e a participação na Corrida de Orientação, percorrendo o centro histórico. Nos dois casos devem-se responder questões sobre o patrimônio são-joanense. Mas a jornada é apenas uma das várias medidas adotadas. A elaboração e edição de guia turístico da Trilha dos Inconfidentes (trecho da Estrada Real que tem São João del Rei como cidade pólo) em inglês, com distribuição gratuita às operadoras de turismo internacional, embaixadas, receptivos internacionais, agências estrangeiras, entre outros é mais um exemplo. Com tiragem de 10 mil exemplares na 1a. edição, contemplará o roteiro clássico (patrimônio arquitetônico), ecológico, festas e eventos culturais, roteiros alternativos (cidades vizinhas), roteiro de arte e artesanato e informações de serviços turísticos.

Para bem receber os visitantes, foi criado o curso de Formação e Treinamento básico de Condutores de Turistas Estrangeiros. Condutores de turistas foram treinados em educação e interpretação do patrimônio; curso intensivo de inglês e princípios básicos de comunicação e atendimento ao turista. Visando a continuidade do aprimoramento, será inaugurada uma cooperativa aberta dos condutores com orientação da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da UFSJ.

O desafio de criar essa consciência patrimonial inclui parceria com a Associação Comercial, através do projeto Empresas Apaixonadas e instalação de painéis em ônibus urbanos com informações sobre a cidade. Há ainda a preocupação de criar novos patrimônios. A colaboração da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da Secretaria de Educação se faz fundamental para consolidar um processo permanente de apropriação dos bens culturais da cidade pelos seus moradores e visitantes. O lançamento da primeira edição de um Almanaque de Educação Patrimonial promete ser outra importante ferramenta nesse intuito.

Todo o trabalho será coroado e apresentado à população durante o Seminário do Patrimônio, no dia 30 deste mês, a partir das 17 horas, no Anfiteatro do Campus Santo Antônio da UFSJ. Durante o evento, acontece o Ciclo de Palestras onde serão abordados temas como a história da cidade e razões para a preservação, a Sessão Temática onde serão narradas as experiências de Educação Patrimonial em São João Del Rei e a Mesa Redonda para discussão dos desafios da gestão do patrimônio cultural.

Informações para a imprensa:
Maria Teresa Resende Raposo – coordenadora do projeto AQUI A EDUCAÇÃO GUIA O TURISMO
Telefones: (32) 3372-2895 / (32) 9906-9066
E-mail: ciatur@mgconecta.com.br
____________________________
Maria Teresa Resende Raposo é minha amiga e coordena o projeto divulgado acima. Ela me enviou esta mensagem e eu decidi publicar aqui para que vocês pudessem ler.
Aproveito para registrar meus parabéns à Maria Teresa e sua equipe pelo excelente trabalho em favor da preservação do patrimônio histórico.
Bhaktisiddhanta Dasa.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Sempre a mesma velha polêmica.


A revista Época desta semana (13 de novembro de 2006) traz como reportagem de capa uma polêmica que, na minha opinião, é das mais anacrônicas: a polêmica entre Ciência e Religião. De fato, o que me parece é que esta reportagem foi feito com o único intuito de propagandear o novo lançamento da Editora Globo, o livro Quebrando o encanto, do cientista americano Daniel C. Dennet.
Os termos em que a discussão é colocada são os termos de uma questão vazia de sentido. Os cientistas ateus de um lado dizendo que, como a existência do deus não pode ser provada pelo método científico, logo ele não existe; e de outro lado, os religiosos fundamentalistas que afirmam ser a Bíblia (e outras fontes reveladas, nas tradições não-cristãs) portadora de uma verdade objetiva. E isso numa época em que nem mesmo a ciência preconiza mais a existência de um tal tipo de verdade.
Bem, de qualquer forma vale a leitura do artigo e vale também acompanhar a discussão no endereço da revista (www.epoca.com.br).

segunda-feira, novembro 13, 2006

Em resposta a Janavatsala.

Querida amiga Janavatsala:

É verdade, é possível ser feliz neste mundo. Não aquela felicidade perene que as escrituras das diversas religiões prometem para um tempo futuro, o qual não existe de fato. Mas, é possível uma felicidade concreta, feita de momentos mais ou menos intensos. E, mesmo quando sofremos, ainda é possível identificá-la como pano de fundo de todo o resto.
Honestamente, eu acredito nesta felicidade e não naquela outra das ficções futuristas. Decidi pela felicidade agora e tenho agido nesta medida. Isso porque minha felicidade atual (aquela que não depende de nenhuma condição futura) tem uma fonte perene e inesgotável: o amor. Sim, o amor por mim, em primeiro lugar. Um amor sem o qual não é possível amar outras pessoas, nem mesmo ao deus. Esse amor, cara amiga, é verdadeira sabedoria.
Lembro-me de Platão neste momento com sua dialética ascendente do amor. Primeiro é preciso partir do mais concreto em direção ao mais abstrato e inteligível. Amo em primeiro lugar os corpos e as formas do mundo sensível, para em seguida, nelas, passar a contemplar e amar de um amor impossível todo o resto. Claro, em Platão isso soa diferente. Mas estou me apropriando da concepção platônica para fazer ver a profundidade de minha própria situação.
Alguns podem dizer: ilusão! Mas, perdem aqueles que não entram no jogo (in-ludere). A vida é jogo, por isso estamos todos iludidos, enfim. Eu, ao menos, me sei em jogo. E como um cachorrinho que se diverte com a bola de papel, nã preciso de mais nada para ser eu mesmo.
Não sei estou sendo claro o suficiente. De qualquer forma, temo a clareza e a distinção como a pecados capitais do pensamento. Mas, ainda assim penso que você me compreende.
Irei vê-los em breve.
Com saudade:
Bhaktisiddhanta Dasa.
_______________________________
A carta acima é para Janavatasala, minha amiga. Mas, simultaneamente é para todos meus amigos e amigas; e para aqueles que puderem compreender minha linguagem.

segunda-feira, novembro 06, 2006

II Semana Filosófica da UEPB

Aos interessados:
Começa hoje (06/11/06), com o tema Filosofia, educação e sociedade, a II Semana Filosófica da UEPB. Às 19:00h no Auditório do Teatro Municipal Rosil Cavalcanti acontcerá a conferência de abertura - O Fundamento da Educação Filosófica em Platão - com a Profa. Dra. Gisele Amaral dos Santos (UFPB).
Amanhã (07/11/06) inciam-se os mini-cursos. Maiores informações no CEDUC II, na secretaria do curso de Filosofia, ou pelos telefones: 3310-9712 / 3310-9713 / 3310-9715.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Que ninguém tema a felicidade...

O Blog amigo "Amorica" (veja o link ao lado), me trouxe a inspiração para o post de hoje. Claro, a inspiração vem da vida também que não poderia estar sendo mais generosa comigo. Um amor, muita felicidade, um sonho se realizando...
Sim, eu tô besta mesmo! Mas, porque não deveria estar? Por que alguém deveria temer a felicidade? Por causa da dor? Mas, se como me disse recentemente minha amiga Carla Capitani, por sua vez inspirada em Clarice Lispector, "el dolor y la felicidad, son signos vitales", porque eu deveria temer qualquer uma delas?
Estar vivo é um privilégio! Eu vivo... e vocês?
P.S.: Hoje se completam quinze dias... e é como se você sempre tivesse estado aqui comigo!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Não há verdade além das aparências.

Este é o grande ganho da fenomenologia filosófica: as coisas são aquilo que mostram ser. Não há algo a ser buscado para além das aparências. Tudo o que é, de fato, somente é em suas aparições. A verdade do ente não é algo a ser buscado, uma vez que já nela nos encontramos. Como diria Merleau-Ponty: "Nós estamos na verdade, e a evidência é a experiência da verdade."
Enquanto acreditarmos e defendermos que o lugar da verdade é o conceito, o juízo, o enunciado (como se fosse mesmo possível uma topologia da verdade) estaremos privados de uma real percepção da experiência com a verdade na qual estamos quotidianamente lançados.
A crença amplamente difundida de que há algo além das aparências a ser conhecido torna-nos cegos à beleza da própria manifestação daquilo que buscamos. Tornamo-nos filósofos profissionais, teólogos, cientistas, etc. Nos esquecendo que é melhor sermos pensadores, místicos, poetas.
O filósofo profissional, preso a seus sistemas metafísicos, embora se encontre na experiência com a verdade, torna-se um dogmático porque não pensa tal experiência. Ou antes, não se detém junto a ela para realmente percorrer o caminho da experiência. Como dissemos na epígrafe destas Mansões, tal pensamento (o do filósofo profissional) não se demora junto ao que deve ser pensado. Parece-me ser a isto que Heidegger acena ao afirmar em Ser e Tempo:
Por mais rico e estruturado que possa ser o seu sistema de categorias, toda ontologia permanece, no fundo, cega e uma distorção de seu propósito mais autêntico se, previamente, não houver esclarecido, de maneira suficiente, o sentido de ser e não tiver compreendido esse esclarecimento como sua tarefa fundamental.
Assim, um pensamento que não atente à abertura essencial do homem em relação ao mundo, que não se situe no bojo mesmo da experiência com os entes que lhe vêm ao encontro dentro do mundo, no aberto do mundo, fecha-se dogmaticamente e torna-se, em última instância cego e distorcido em seu propósito mais autêntico.
Um pensamento que desconsidere a aparência, que nada mais é que a essencialização dos fenômenos, sua manifestação primária e imediata, em busca de algo além, corre o risco de morrer antes mesmo de cumprir seu papel originário.

Pequeno clamor

O vento canta na copa das árvores,
parece um lamento.
Parece um sonho que me convoca
a me reunir em mim, enquanto
o sol fustiga minha pele.
E eu, seco e coberto de pó,
me oculto de Teus olhos,
infinitos olhos imaculados.

Por que não Te revelas em definitivo?
Por que Te ocultas nos corpos,
nomes e formas se este mundo
em tudo se desassemelha de Ti?

quarta-feira, outubro 18, 2006

Porque as coisas passarão...

... eu passarinho.

Começo hoje parafraseando Mário Quintana porque a poesia salva e consagra o pensamento, erige-o.
Sim, as coisas estão acontecendo em minha vida de uma maneira antes insuspeita. Sim, estou em paz com tudo e com todos, porque amo de um amor sereno e livre. E, amando uma pessoa, amo o mundo inteiro.
Talvez pudéssemos fazer aqui uma metafísica do amor, mas a metafísica anda em declínio por estas bandas. E é bom que esteja. Toda metafísica anula, dilacera em função do sistema e das crenças prévias. Toda metafísica tolhe o espaço da liberdade e da criatividade. E o amor não cabe em sistemas. O amor não pode ser contido na instância das crenças, experiência única de liberdade que é.
Lembro-me de Heidegger (pra variar): liberdade é deixar-ser! No deixar-ser o encontro do que vem ao encontro. Neste caso a pessoa mais linda e profunda que pude sonhar! O outro. Íntegro, forte, pleno...
Estou feliz porque sou mais eu mesmo do que nunca! Porque a base de toda ética é a veracidade, e já não minto. Iludo-me, talvez. Mas, iludir-se é estar no jogo (in-ludere), e isto é a única coisa que realmente importa: o lúdico.
O óbvio do poema de Quintana é que tudo passa, mas eu permaneço intacto, livre como um passarinho. Elas (as coisas) passam por mim, mas não me prendem em seu visgo. Ao contrário, ainda mais me libertam inclusive de mim mesmo. Já não estou só.
Claro, a solidão existencial sempre persiste. É bom que seja assim. Ainda sou o mesmo. E é como se nunca houvesse um tempo anterior a este que vivo agora. As coisas passarão...
Beijos.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Meu sumiço...


Sim, eu sumi... por uma boa causa, claro! Passei o fim-de-semana prolongado em João Pessoa. Com tempo de sobra pra descansar e otras cositas mas... porque ninguém é de ferro, né?
A foto acima é do retorno. Na estrada... by José Sankárshana. O sujeito de branco é o João.
Muita coisa passando pela cabeça agora, muita coisa (boa) acontecendo, algumas idéias novas (e sempre antigas) surgindo.
Vem aí a Semana de Filosofia da UEPB e, depois, em dezembro, um colóquio de Ciência da Religião em João Pessoa (UFPB). Trabalhando pra apresentar alguma coisa por lá. Aqui, vou dar um curso sobre o conceito de verdade em Heidegger.
Bem, é isso... Tô na pressa. Depois escrevo melhor.

terça-feira, outubro 10, 2006

Só porque a Lara pediu.

Não sou poeta, Larinha! Deixe disso! Menos ainda fotógrafo. Mas, porque você pediu tem uns versinhos que fiz de graça, num momento em que Sri Sri Radha-Govinda pareciam muito distantes... É para Eles e pra você, minha amiga.
__________________________________
Minhas coisas andam perdidas,
meu pensamento ainda vaga
por um nada infinito;
e eu, que nem existo, nem nada,
sou vítima de Tua Verdade Alada.
Celebrações votivas,
a curva do ano em que morrerei,
em que estou morto há séculos.
Mas subsisto, nas linhas tênues
de Teus olhos indiferentes,
de Tua forma inerte e dourada
sobre o altar.

domingo, outubro 08, 2006

Libertas quae sera tamen!

A poesia salva, revigora, fortalece em momentos como os de agora em que a solidão é a marca mais forte de meu ser-no-mundo. Como os que realmente me conhecem sabem, tal solidão não me assusta, ao contrário, fascina-me sobremaneira.
Hoje sinto-me livre! Livre da mediocridade dos amores mal correspondidos, da vulgaridade alheia... Livre de sentimentos! Hoje, sou eu mesmo novamente.

sábado, outubro 07, 2006

Alguém fez um poema...


Que te demores, que me persigas
Como alguns perseguem as tulipas
Para prover o esquecimento de si.
Que te demores
Cobrindo-me de sumos e de tintas
Na minha noite de fomes.
Reflete-me. Sou teu destino e poente.
Dorme.
(Hilda Hilst. "Da Noite", X).


Beleza e solidão neste poema de Hilda Hilst. Beleza e solidão em mim, graças ao deus.
Sorte minha que não me surpreendo com a condição humana, dela sou íntimo.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Poesia, sempre poesia...

Desculpem-me por voltar a vocês hoje. Mas, não posso deixar de partilhar a salvação que me trouxe Adélia Prado. Vejam:
CORRIDINHO
O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem, chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
(Adélia Prado, "O coração disparado e a língua seca").

Ensaio 2 (Vista da Varanda)


A foto não está tão boa, mas quando o sol bate nas paredes das casas do outro lado da rua tudo ganha uma exuberância infinita. É um luxo morar sozinho! Desfrutar do silêncio da solidão ocasionais... Desfrutar dos amigos que aqui aparecem inopinadamente (não é Eka Rsi?! Rsrs...). Tudo isso faz com que a força da vida se imponha de maneira incomparável!
Olhar a exuberância do sol nas paredes batidas da casa em frente é o mais próximo que preciso estar da Verdade!
Abraços e beijos:
Bhaktisiddhanta Dasa
(Augusto Araujo)