Diz-se que Heráclito assim teria respondido aos estrangeiros vindos na intenção de observá-lo. Ao chegarem, viram-no aquecendo-se junto ao fogo. Ali permaneceram, de pé, (impressionados sobretudo porque) ele os encorajou a entrar, pronunciando as seguintes palavras: 'Mesmo aqui, os deuses também estão presentes'. (Aristóteles. De part. anim. , A5 645a 17ff).

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Amamos o pecador, mas odiamos o pecado.


Este post poderia ter o subtítulo: “Relembrando a Santa Inquisição”. Mas, a frase que lhe dá título serve bem para ilustrarmos como raciocinam os fundamentalistas religiosos de plantão. Eu a tenho ouvido / lido quase diariamente em minhas discussões sobre a dignidade e os direitos da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), como se fosse um argumento irrefutável – ao lado da liberdade de crença e culto, que já analisamos anteriormente – para a não aprovação do PLC 122/2006 que criminaliza a homofobia.

A questão toda se resume nisso: amamos o pecador, mas como está em pecado ele não tem direito a estabelecer uma parceria civil, não tem direito a adotar, não tem direito a ser protegido pelo estado (em caso de sofrer qualquer tipo de violência por sua orientação de gênero), não tem direito a plano de saúde compartilhado ou à herança. De fato, o pecador não tem direito de existir! Foi assim que pensaram os “santos inquisidores”, tão mal compreendidos historicamente! Afinal, eles amavam o pecador, odiavam apenas o pecado. E, assim, agindo segundo a mais alta caridade cristã, condenavam outros seres humanos à morte na fogueira, não sem antes uma boa tortura, para amaciar o moral e ser liberto pela verdade. A escolha da fogueira era mais um golpe de sua imensa misericórdia e amor pelo pecador. A morte era lenta, assim havia a chance de, diante da dor, o pecador se arrepender e ter sua alma imortal salva no último instante.

Esse é o mesmo quadro que vislumbramos hoje. As bancadas religiosas amam tanto os pecadores homossexuais que desejam, do fundo de seus corações misericordiosos, que estes cidadãos e cidadãs sofram cada vez mais preconceito, discriminação e violência. Quem sabe assim eles não se arrependam de suas vidas pecaminosas e se salvem. Quem sabe assim a pseudo-psicóloga Rosângela Justino tenha de volta seu registro no Conselho Nacional de Psicologia, e seu ganha-pão, com o aumento de indivíduos arrependidos. Se alguns gays e lésbicas morrerem no meio do processo, tudo bem, são baixas de guerra: a guerra contra o pecado.

O que me assusta em meio a toda essa discussão é a facilidade com que lidamos com seres humanos a partir de categorias tão equivocadas como a de “pecadores”. Mas, é mais fácil. Uma categoria não pensa, não sente, não ama, não sofre… Uma categoria é apenas isso, uma categoria. Esquecemos tão prontamente que o que está em discussão com essa lei são direitos individuais das pessoas que tudo toma caráter meramente ideológico.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Encontro para a Nova Consciência 2010

 

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Nossa, 2010 tá indo há mais de um mês, e eu até agora nem tive tempo para postar nada! Mas, tem nada não… dizem que o ano só começa pros brasileiros depois do canarval, né? Pois então, embora meu ano já tenha começado com força total – às vezes enm percebo que 2009 acabou –, o carnaval será um marco importante para mim. Por sugestão de João, meu companheiro, meu nome foi cogitado para uma palestra no Encontro para a Nova Consciência (http://novaconsciencia.multiply.com/ ). E não é que rolou?

Minha programação ficou assim:

V ENCONTRO SOBRE HOMOEROTISMO

Local: CEDUC 2 (UEPB)

Dia: Domingo (14/02)

Horário: 14h às 14:40min

Tema: RELIGIÃO E HOMOSSEXUALIDADE (Augusto César Dias de Araújo - Doutorando em Ciência da Religião – UFJF)

 

Logo após minha apresentação (14:40min às 15:20min) haverá continuidade na programação com a seguinte palestra:

AS FALÁCIAS DA INVERSÃO SEXUAL (Sérgio Viula - Ex-pastor e ativista GLBT - SP)

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João também participará este ano com a seguinte programação:

 

ENCONTRO DE CINEMA

Domingo, 14

9h às 10:30min

Como as questões éticas permeiam a produção audiovisual?

Vinícius Ramos (Professor e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC - SP )
Glauco Machado (Cineasta e Antropólogo)

Mediador: Rômulo Azevedo (Professor, Jornalista, Diretor de Cinema –PB)

10:40min às 11:30min

Processo de Concepção Visual de Personagens de Animação

João de Souza Lima Neto (Professor - UFCG)

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quarta-feira, dezembro 30, 2009

Um desejo de Ano Novo

Meu desejo de Ano Novo é que possamos viver a diferença com menos parcimônia. Que aprendamos o diálogo e que a intolerância não tenha vez. Que sejamos maduros o suficiente para que deus e sua vontade não sirvam como desculpas para que nossas inseguranças se transformem em leis. Que as certezas sejam menores e que nos exorcizemos das ideologias que matam e fazem sofrer.

Meu desejo é que sejamos mais humanos!

Feliz 2010!

Grandes beijos…

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Humano, demasiado humano

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Tenho tentado encontrar uma maneira de descrever minha impressão sobre o filme “Borra de Café” desde que tive a oportunidade de participar de sua pré-estreia no dia 08/12.

O curta-metragem de Aluízio Guimarães, que já tive a oportunidade de divulgar aqui pelo “Mansões” (cf.: Pré-estréia do curta “Borra de Café” ; e Nova produção do cinema paraibano), mostra uma Paraíba “verde” e “bem nutrida”, como era a intenção anunciada pelo diretor em sua fala antes da exibição. Mas mostra, sobretudo, uma Paraíba feita de seres humanos e não dos “heróis da seca” – seres quase mitológicos para os que somos de outras regiões do Brasil – , humanos como eu e você. Todos os personagens foram construídos a partir dessa noção belíssima de humanidade que ama e se desespera, mas vive.

O resultado? Um filme delicado, que trata de maneira feliz e emocionante os conflitos e os privilégios de nossa condição. Um filme rico, denso, feito para quem não teme olhar o prosaico da vida cotidiana com olhos de poeta. Um filme honesto, sem subterfúgios pseudo-intelectuais e pseudo-artísiticos. Um filme “humano, demasiado humano”, para tomar emprestado o dito nietzscheano.

Um filme pra se rever!

De minha parte sou grato por ter sido convidado para a pré-estreia de uma obra desse quilate. E, aproveito para parabenizar toda a equipe pelo resultado de um trabalho feito com muito suor e inegável talento.

domingo, dezembro 06, 2009

Religião e Homossexualidade

 

Igreja Anglicana reacende polêmica ao eleger bispa abertamente gay *

Escolha de lésbica em Los Angeles reforça divisões entre membros conservadores e liberais.

A Igreja Anglicana na cidade americana de Los Angeles reacendeu neste domingo uma enorme polêmica ao eleger o que será o segundo bispo abertamente gay da igreja em todo o mundo.

A reverenda Mary Glasspool, de Baltimore, foi eleita bispa assistente, mas ainda precisa que a maioria da Igreja Episcopal nacional apóie a escolha.

Há seis anos, a eleição do primeiro bispo abertamente gay, Gene Robinson, de New Hampshire, causou enormes divisões entre os clérigos e fiéis.

Glasspool, de 55 anos, atuou como cânone da Diocese de Maryland por oito anos.

Em um comunicado divulgado após a eleição, ela disse que "qualquer grupo de pessoas que tenha sido oprimido por causa de qualquer elemento isolado de sua personalidade clama por justiça e direitos iguais".

Divisões

Os conservadores já expressaram sua oposição à escolha da bispa.

Eles insistem que a Bíblia rejeita o homossexualismo, enquanto os mais liberais dizem que o livro deve ser reinterpretado sob a luz do conhecimento contemporâneo.

Na época da escolha do primeiro bispo gay, a briga levou à formação de um movimento alternativo conservador nos Estados Unidos, a Igreja Anglicana da América do Norte.

O chefe da comunidade anglicana mundial, o Arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, está sob pressão para reconhecer o movimento.

O correspondente da BBC para assuntos religiosos, Chris Landau, disse que a eleição de Glasspool é mais uma evidência das divisões da Igreja em relação à questão da homossexualidade.

Segundo ele, para muitos fiéis nos Estados Unidos, a eleição de bispos abertamente gays é simplesmente um reflexo da diversidade que vem sendo defendida pela Igreja Anglicana há muito tempo.

A Igreja Anglicana possui 77 milhões de fiéis em todo o mundo.

________________

* Fonte:

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1405052-5602,00-IGREJA+ANGLICANA+REACENDE+POLEMICA+AO+ELEGER+BISPA+ABERTAMENTE+GAY.html

Pré-estréia do curta “Borra de Café”

 

ANTÔNIO E ANA BEATRIZ - FACHADA DA CASA 3

Cultura cafeeira do brejo paraibano

é tema de curta-metragem

A pré-estreia será em 08 de dezembro durante o FEST Aruanda

No início do século XX, no brejo paraibano, era produzido o segundo melhor café do país. A informação é do diretor e roteirista Aluizio Guimarães, arrematando que "nosso café perdia apenas para o café produzido em São Paulo”. E para resgatar este aroma histórico escondido nos rios e vales paraibanos foi produzido o curta-metragem “Borra de Café”.

Para além de um simples curta-metragem, a trama promete levantar algumas polêmicas, uma delas é a ousadia impressa na narrativa. “Não são histórias reais, mas bem que poderiam ser”, observa Aluizio, confessando que muito do que escreveu foi baseado em causos e estórias contadas por pessoas da região.

Aliás, uma das características da produção é justamente a de retratar o cotidiano dos habitantes do Brejo. “É uma região pouco valorizada por sua beleza e história. No filme, tento mostrar que a Paraíba não é apenas solo rachado, sol escaldante e mandacaru”, destacou Aluizio.

“BORRA DE CAFÉ” - é um curta, com duração de 20 minutos, que tem como cenário as belas paisagens do brejo paraibano, onde será mostrado o drama de Antônio (Chico Oliveira), que no início do século XX (1908 a 1923), depois da morte da esposa, Maria (Suelaine Lima), se depara com a difícil situação de criar sozinho sua única filha, Ana Beatriz (Rayanne Araújo). Isolados em uma vale, recebendo esporadicamente a visita de dois amigos tropeiros, os dois desenvolvem uma forma peculiar de relação, que trará grandes consequências em suas vidas.

Trata-se de um curta-metragem de época, com uma rigorosa estrutura de Direção de Arte. A estrutura dramática do filme gira em torno de um núcleo familiar complexo. "Uma nudez que não despe e de uma dor que não grita" é assim que Aluizio exprime como serão apresentados os conflitos subliminarmente expostos na trama de "Borra de Café".

Tipo exportação - Após ser lançado e exibido em Campina Grande, João Pessoa, Matinhas, Olinda e Caruaru, o diretor tem outros planos de voo para o curta. É que "Borra de café" deverá ser posto à mesa dos inúmeros festivais de cinema no Brasil e no mundo, razão pela qual, será legendado em inglês, espanhol e francês.

O fato é que, embora o curta ainda esteja em fase de pré-estreia, ao que parece, será mais um dos muitos sucessos colecionados pelo autor, cuja produção teatral, a exemplo de "Água, areia e as maçãs" e “Inferno”, é bastante conhecida no meio artístico.Os interessados em sentir o sabor da obra já poderão fazê-lo. A pré-estreia está marcada para o dia 08 de dezembro em João Pessoa durante o FEST ARUANDA, no Hotel Tambaú, às 16 horas.

ANTÔNIO BEBENDO 2

Contatos:

amazilevieira@hotmail.com

(83)9972-0850

lucianomariz@gmail.com

(83)8858-0766 / (83)8841-9353

 

ANA BEATRIZ E ZÉ TROPEIRO - PORTA

Ficha técnica:

Direção: Aluizio Guimarães

Produção Executiva: Amazile Vieira

Direção de Produção: Luciano Mariz e Hingrit Nitsche

Direção de Fotografia: Helton Paulino

Direção e Edição de Som: Guga S. Rocha

Direção de Arte: Fernando Rabelo e Thaïs Gualberto

Figurino e Maquiagem: Iomana Rocha, Rebecca Cirino e Renato Barros

Edição e Finalização: Ely Marques

Elenco: Rayanne Araújo, Chico Oliveira, Suelaine Lima, Napoleão Gutemberg, João Demilton, Kaliuma Soares, Iris Bezerra e outros.

 

Geneceuda Monteiro

Jornalista DRT: 1.641

(83)9134-9075 / (83)2101-9031

gnceuda@paqtc.org.br

sábado, dezembro 05, 2009

Do “Fundamento da Moral”

 

Um texto de Marcel Conche *

Se eu fundamentar minha moral em minha religião, vocês contestarão minha religião em nome de uma outra religião ou da irreligião (se forem agnósticos ou ateus), e minha moral não passará de uma moral como as outras, de uma moral entre outras, uma moral particular. Só poderei dizer: esta é minha moral, vocês têm a sua, e eu a minha. Se eu fundamentar minha moral em minha filosofia, vocês contestarão minha filosofia em nome de uma outra filosofia ou da não-filosofia, e minha moral não passará de uma moral entre outras, sem nenhum direito de se impor. Se vocês contestarem a necessidade de fundamentar a moral, porque todos já dispõem de uma, acreditarei decerto que minha moral é a melhor, mas vocês acharão o mesmo da moral de vocês. Todas as morais terão igual direito de julgar o que é bom e o que não é. Então os assassinos de Buchenwald, Dachau, Auschwtiz, etc. estarão com a faca e o queijo na mão. Terem sido vencidos por uma força superior, mas da qual não será possível dizer que estava, mais do que qualquer outra, a serviço da verdade moral, terem sido vencidos, repito, será seu único erro.

Caso contrário, deve-se, em primeiro lugar, fundamentar a moral; em seguida, deve-se fundamentá-la não no particular – e uma religião ou uma filosofia são sempre particulares, porque existem outras – , mas no universal. O universal é o que deixa de lado todas as particularidades. Deixar de lado o que nos separa ou nos distingue é o que é feito no diálogo, quando se escuta. Eu falo, você escuta; você fala, eu escuto. Operamos ambos na redução dialógica, colocando de lado nossas crenças, nossas opiniões, nossas tradições, nossas particularidades de todos os tipos para estarmos exclusivamente atentos ao verdadeiro e ao falso. Realizamos o universal vivo por nossa operação recíproca. O que acontece então? Cada qual pressupõe que o outro pode apreender a verdade que é a sua verdade, mesmo que para cada um deles esta seja apenas a do outro. Ou: cada qual, simplesmente para poder dirigir-se ao outro, falar-lhe, pressupõe o outro como capaz da verdade. Por esse motivo, cada qual pressupõe o outro como seu igual. A partir do momento em que os desiguais dos regimes baseados em privilégios se dirigissem um ao outro que não fosse para julgar, louvar ou criticar, ou comandar sem réplica, colocariam em perigo, pelo simples fato de serem dois seres humanos falando um com o outro apenas para dizerem o verdadeiro e o falso, o próprio sistema que os estabelecia desiguais. É por esse motivo que privilegiados e não privilegiados não dialogavam e muitas vezes não se falavam. Ora, dessa igualdade de todos os homens, implicada no simples fato de se poder travar uma conversa de fato, extrai-se toda a moral – aquela que, diferentemente das morais coletivas particulares, é a mesma para todos e contém todos o direitos e deveres universais do homem. A moral baseia-se não nesta ou naquela crença, religião ou sistema, mas neste absoluto que é a relação do homem com o homem no diálogo.

* Fonte: CONCHE, Marcel. O fundamento da moral. São Paulo: Martins Fontes, 2006. p. XI-XII.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Da liberdade de opinião e de crença

Tudo tem limite, minha gente! Dia desses, voltando de João Pessoa com João, meu companheiro, num ônibus da empresa RealBus fomos surpreendidos por uma demonstração incontestável desse princípio.

Um senhor, trajado com farda da Polícia Militar do Estado da Paraíba, se levantou tão logo o ônibus ganhou a estrada e pediu a atenção de todos. Pensamos, naturalmente, que, como policial, ele teria algo importante para falar acerca da viagem, da estrada… Mas, qual não foi nossa surpresa quando este senhor começou a desfiar um “rosário” de frases prontas sobre como deus nos ama, de como ele enviou seu filho pra nos salvar do pecado e da morte, e de como somos livres para ir ao inferno por não acreditar na Bíblia. Foram bem uns quinze minutos e minha paciência chegou a seu limite. Ergui a mão e com a delicadeza que me é peculiar nestas ocasiões – perdoem-me esta pequena ironia – exigi que o referido “profeta” se calasse dizendo-lhe: –“ Porque você não imita deus e me dá liberdade de escolha? Não quero ouvir essa sua conversa! Não me interessa! Você já deu seu recado, chega!”. O homem resmungou mais algumas palavras, e se sentou. Não sem antes gritar: –“Leiam a Bíblia!”.

Depois desse episódio fiquei pensando: as pessoas estão perdendo a noção do que significa “liberdade de opinião e de crença e culto” – direito constitucional de todo cidadão brasileiro – e estamos à beira de uma nova onda de dogmatismo e de um estado controlado por ideologias religiosas.

Vejam, por exemplo, o caso das inúmeras tentativas de se aprovar o PLC 122/06 que criminaliza a homofobia. O projeto vem sofrendo tanta pressão contrária de setores religiosos conservadores – e isso mesmo depois de modificações significativas que ampliam a abrangência da lei para outros grupos minoritários e discriminados – que tenho a impressão de que o próximo passo será a proposta, por parte desses mesmos setores, de criminalizar a homossexualidade!

Exageros à parte – espero que seja mesmo um exagero meu – um dos principais argumentos destes grupos religiosos é que a aprovação do projeto de lei significará o cerceamento da liberdade de opinião e de culto. Curiosamente apelidaram o PLC de “lei da mordaça gay”, quando na verdade eles querem nos amordaçar para que não gritemos ante a violência, ante o desrespeito e a discriminação. Bem, não resta dúvida: este argumento é falacioso e tendencioso. De fato, como bem me recordou o amigo Marcelo Botticelli numa discussão recente a respeito do tema, o sentido do projeto tem sido deturpado e direcionado para a compreensão de que a lei, quando aprovada, fará apologia da homossexualidade. Algo como: –“Se você não for homossexual vai ser punido!”. Uma “bobagem sem temanho”, palavras dele, com as quais concordo sem tirar nem por.

O direito de livre expressão e de culto não significa poder dizer o que se quer, na hora que se quer e de quem se quiser. Isto também é uma “bobagem sem tamanho”. Como tenho advogado, a criminalização da homofobia encontra-se no mesmo patamar que a criminalização do preconceito de etnia (contra negros, amarelos, etc) e do preconceito contra a mulher e contra o idoso. Não se pode, embasado no direito de livre expressão, permitir que alguém - mesmo por razões religiosas - se refira aos negros como pertencendo a uma "raça" inferior. Também não se pode permitir, com base no mesmo direito, que se afirme sem mais que o mal (pecado) existe no mundo por causa da mulher; ou que o gênero feminino é inferior ao masculino. Da mesma maneira não se pode permitir que as pessoas de orientação homoafetiva sejam hostilizadas, desqualificadas, e menosprezadas com base na falácia de que se o projeto de lei for aprovado estaremos cerceando o direito de expressão de quem quer que seja.

É contra isso que o PLC 122/06 se levanta, e eu assino embaixo!

Para quem quiser conhecer o projeto de lei:

Bem como sua última (mais recente) configuração:

Abraços a todos!

sexta-feira, novembro 27, 2009

Notícias de minha visita à ASSEPE

 

Como havia anunciado anteriormente, estive presente no dia 24/11/09, a convite de Néventon Vargas, a uma reunião da ASSEPE (Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa) para falar acerca de minha pesquisa sobre a obra de Allan Kardec (1804-1869). De fato, já havia estado presente a outra reunião, no sábado (21/11/09), também a convite de Néventon, para um primeiro contato e aproveitando o fato de eu e João já estarmos em João Pessoa naquele final de semana.

Bem, vamos às impressões: o grupo é pequeno – em comparação às casas espíritas que tenho visitado ao longo da pesquisa – mas coeso. O que não significa que haja unanimidade em todas as questões. E, penso, este é o grande diferencial. Seus membros são vistos como indivíduos, e as idéias são debatidas amplamente, sem restrições. Criaram ali um espaço democrático em torno do estudo e da pesquisa espíritas como até então eu não havia conhecido.

Fui muito bem acolhido por todos, sem excessão. E logo criou-se um clima de amizade e cordialidade. Minha condição de não-espírita-leitor-de-Allan-Kardec foi amplamente valorizada. E, acredito que a veemência com que defendo minha interpretação da obra deste que é o criador do espiritismo, fez surgir a piada de que sou um “espírita enrustido” ou “desavisado”.

Nossa discussão, na noite de quarta, girou em torno do processo de formação identitária do espiritismo – fenômenos, doutrina e movimento – a partir da análise das interações deste com três instâncias de legitimação social: a ciência, a filosofia e a religião. Tudo isso, claro, no âmbito da obra kardeciana.

Foi um encontro muito enriquecedor. Fiquei imensamente satisfeito com as questões e controvérsias que foram levantadas. E, tomando como referência as manifestações dos membros desta Associação, a recíproca foi verdadeira.

Além da experiência de poder oferecer uma amostra de resultados parciais de minha pesquisa a um grupo de espíritas, de ver meus postulados questionados com tanta propriedade por pessoas que além disto, são também pesquisadores e intelectuais que defendem, dentre outras coisas o livre pensamento e o caráter laico do espiritismo; há ainda a experiência humana de adquirir num curto espaço de tempo, novos amigos e amigas.

Enfim, é isso aí: a vida é feita de encontros (e reencontros).

Grande abraço a todos e todas!

 

P.S.: A quem se interessar, o site da ASSEPE é:

http://www.assepe.org.br/

segunda-feira, novembro 16, 2009

Ditadura Gay

 

Um texto de Antônio Prata*

“Você é a favor da aprovação do projeto de lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?” Desde que a enquete apareceu no site do senado, faz umas semanas, evangélicos de todo o país iniciaram uma cruzada via internet, pelo direito de ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo.

Uma senhora chamada Rosemeire, por exemplo, expondo num blog seu temor de que a lei seja aprovada, disse que vivíamos “O início da Ditadura Gay no mundo!”. Pelo que entendi, Rosemeire acredita que está em curso uma batalha global, travada entre héteros e homossexuais, pela hegemonia na Terra. Hoje, os héteros estão vencendo, mas é só porque têm amparo legal para chamar os gays de viadinhos, as lésbicas de sapatonas e rir das piadas do Juca Chaves. No momento em que passarem a punir quem ofender pessoas que namoram pessoas do mesmo sexo, elas perceberão que chegou a hora, sairão todas correndo da The Week e tomarão o poder.

Imagine só, Rosemeire? Criancinhas terão de cantar Village People, na escola, enquanto assistem ao hasteamento da bandeira do arco-íris. Aos domingos, em vez de futebol, as TVs transmitirão Holiday on Ice e, com dezoito anos, os jovens serão obrigados a alistar-se no exército, fazer flexões de braço, dormir e tomar banho, uns na frente dos outros. Que horror!

Se você acha que Rosemeire exagerou, é porque não leu o blog de Rozângela Justino, cristã, psicóloga e indignada: “Se este Projeto (...) for aprovado, estaremos institucionalizando em nosso país o sistema de castas e todos aqueles que não forem homossexuais serão considerados cidadãos de segunda classe.”

Uau, Rozângela! O mundo, então, seria governado pela casta das Drag Queens? Um advogado gay, de terno e cabelo curto, seria de uma casta intermediária? E lutadores do Ultimate Fighting, viveriam de esmolas? Bem, talvez não...

Quanta imaginação têm as duas mulheres. Se seus piores pesadelos fossem filmados, seria preciso unir o talento de um Fellini com o de um Clóvis Bornay; juntar, no mesmo caldeirão, George Orwell e Andy Warhol; vislumbrar as ruas de Nova Déli sendo percorridas pela banda de Ipanema.

Se bem que... Sei lá. Pensando melhor, talvez o temor de Rosemeire e da Dra. Justino tenha algum fundamento. Veja o caso dos negros: há poucas décadas, todo mundo contava piada racista e eles eram cidadãos de segunda classe. Veio esse papo de igualdade, o que aconteceu? Um mulato chegou a presidente dos Estados Unidos!

A batalha racial já está perdida, mas a sexual ainda pode ser ganha! Basta ir ao http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0, clicar em NÃO e mostrar a todos que ainda tem gente disposta a lutar por um mundo injusto, desigual e preconceituoso!

____________________________________

* Fonte: ( http://blog.estadao.com.br/blog/antonioprata/?blog=83&c=1&page=1&more=1&title=ditadura_gay&tb=1&pb=1&disp=single )

Sinal de vida e algumas notícias

 

É, eu sei, tenho andado um pouco relapso com as Mansões… Tenho alguns posts na “agulha” para publicar, mas quero amadurecê-los melhor. E o tempo tem ficado escasso. Só para explicar – sem, contudo, justificar – a vida anda apertada. Por estes dias andei reescrevendo um trabalho, tentando transformá-lo em artigo, para enviar a uma revista de Ciências da Religião e Teologia. Finalmente ontem saiu… Agora é aguardar o parecer do editor.

Por outro lado tem a tese. Meu cronograma está atrasado – pra variar – e estive me torturando por causa disto. Agora resolvi relaxar. Não penso mesmo linearmente e cronogramas são para serem descumpridos! Brincadeira… O problema parece ser o fato de a tese estar toda organicamente interligada e é preciso pensar bem para evitar as repetições e as informações desnecessárias. O “oco” e o “eco”, como diria João Cabral de Melo Neto.

Na próxima semana, dia 25 de novembro, estarei presente a uma das reuniões ordinárias da ASSEPE – Associação de Estudos e Pesquisas Espíritas de João Pessoa – a convite de Néventon Vargas para uma conversa acerca de minha pesquisa da temática do “tríplice aspecto” na obra de Allan Kardec. Depois conto como foi.

Abraços, beijos e quetais!

quarta-feira, outubro 28, 2009

Divulgação

 

 

Em Campina Grande, o evento está em sua 3ª edição, e pela segunda vez acontecerá no Auditório da Unidade Acadêmica de Arte e Mídia na Universidade Federal de Campina Grande. Novamente, contará com uma mostra de animações produzidas pelos graduandos do curso de Arte e Mídia. Uma novidade será a criação de um Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento em Animação.

Horário: 19h30m

Coordenação Local: João de Lima Neto

Apoio: Unidade Acadêmica de Arte e Mídia – UAAMI

quinta-feira, outubro 22, 2009

Onde estão nossos heróis?

Alunos da 4ª série brincam de tráfico em escola pública gaúcha

Professora flagrou aluno que embalava pó de giz, simulando cocaína.
Na brincadeira, grupos teriam de conquistar bocas de fumo.

Do G1, em São Paulo, com informações do ClicRBS*

Crianças de uma escola pública de Sapucaia do Sul (RS) substituíram o esconde-esconde ou pega-pega por outra brincadeira que mostra como o tráfico influencia o cotidiano infantil na Região Metropolitana. Elas começaram a brincar de traficante.
Segundo testemunhas, eles quebraram o giz da lousa, moeram até que virasse pó e embalaram em plásticos. Na brincadeira, grupos teriam de angariar mais usuários e conquistar bocas de fumo. O caso ocorreu em sala de aula e envolveu crianças da quarta série do ensino fundamental, entre nove e dez anos. O nome da instituição será mantido em sigilo para preservar os alunos, em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.


"Isso ocorreu, mas a gente conversou com eles e eles pararam", assegurou a diretora do colégio, sem dar detalhes.


Segundo uma professora, a descoberta aconteceu por acaso. Ela conta que uma colega perguntou a um aluno por que ele estava quebrando giz. Foi quando a criança mostrou os sacos plásticos com pó.


Para o doutor em Educação Euclides Redin, professor de políticas de educação infantil da Unisinos, o ideal é que a brincadeira sirva de alerta para tentar mudar a ligação das crianças com o mundo das drogas.


"Casos como esse devem chamar a atenção da comunidade para mostrar que a criança está vivendo em locais onde o tráfico tem força grande. Se a gente tirar essa realidade do cotidiano delas, certamente vão brincar de outras coisas", afirmou.


Subcomandante da Brigada Militar de Sapucaia do Sul, o capitão Célio Vargas de Oliveira concorda com o especialista. Ele soube da brincadeira por uma informação anônima e pretende combinar palestras nas escolas.


"A brincadeira não é um crime, e sim um reflexo do que essas crianças convivem no dia a dia, em suas comunidades e, às vezes, até dentro da própria casa. Em Sapucaia, perto de escolas sempre tem uma invasão, que são os locais onde mora a maioria dos traficantes. Se o ponto não é na frente do colégio, fica a três, quatro quadras", afirmou o oficial.

Alerta

A brincadeira alarmou a Secretaria Municipal de Educação. O secretário Adilpio Zandonai reunirá as 26 escolas de Sapucaia do Sul para tratar sobre o avanço das drogas entre os adolescentes.
"Pode ter sido em tom de brincadeira, mas temos de coibir e acabar com isso", disse o secretário.
(*Com informações do jornal Zero Hora)

 

Matéria disponível em:

http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1350686-5604,00-ALUNOS+DA+SERIE+BRINCAM+DE+TRAFICO+EM+ESCOLA+PUBLICA+GAUCHA.html

quarta-feira, outubro 21, 2009

Circuito Musical em São João del-Rei

 

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O Projeto “Circuito Musical Estrada Real” surgiu em 2006 na Escola de Música da Universidade Federal de Minas Gerais, coordenado por Ângela Nogueira e Maurício Veloso, com intuito de preservar e divulgar a música erudita e popular na Estrada Real. Para tanto, se estabeleceu como uma rede de apoio e fortalecimento do potencial cultural e artístico, na área da produção e projeção musical e turística local.

O projeto será organizado em cinco núcleos regionais, abrangendo os municípios circunvizinhos, constituídos por músicos, suas organizações, entidades públicas e privadas que atuam junto à área da cultura/música. Atualmente, há apenas um núcleo estruturado em São João del-Rei. A rede articulada entre os músicos e municípios é interativa e se aproveita de conexões já existentes, nas quais a música e a comunicação são centrais para a mobilização e divulgação da própria rede.

A rede em questão vem sendo formada a partir da coleta de dados dos músicos e bandas dos municípios da região. Atualmente, 35 municípios participam do projeto. Estes são: Andrelândia, Antônio Carlos, Barbacena, Barroso, Bom Sucesso, Carandaí, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Cruzília, Desterro de Entre Rios de Minas, Dores dos Campos, Entre Rios de Minas, Ibertioga, Ibituruna, Jaceaba, Lagoa Dourada, Luminárias, Madre de Deus de Minas, Mindurí, Nazareno, Oliveira, Passa Tempo, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, Santa Rita de Ibitipoca, Santo Antônio do Amparo, São Brás do Suaçuí, São João del-Rei, São Tiago, São Vicente de Minas e Tiradentes.

Para quem busca mais informações, o projeto tem um portal virtual (www.musica.ufmg.br/circuitomusical/) e um e-mail institucional (circuitomusical@musica.ufmg.br). Além disso, há um boletim eletrônico que é enviado para os músicos que já foram cadastrados no banco de dados. O boletim já está na sua quarta edição.

O Programa Circuito Musical Estrada Real é uma proposta que se soma à iniciativa do estado de Minas Gerais na promoção de um dos principais roteiros turísticos do Brasil, fora da área litorânea. Ele conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), Prefeituras locais, Conservatório Estadual de Música Padre Maria Xavier e Núcleos de Interiorização de Cultura dos municípios citados.

Em 24 de outubro do corrente ano, às 10h no Largo das Mercês em São João del-Rei, será realizado um grande encontro das bandas regionais. Este evento será a abertura da semana de sopros do Conservatório Estadual de Música Padre Maria Xavier. Inicialmente, as 13 bandas se reunirão e tocarão algumas músicas juntos. Depois, elas sairão pelas ruas da cidade, tocando repertório próprio, junto ao público que as acompanhará. Estarão presentes as bandas das cidades de Coronel Xavier Chaves, São Tiago, Cruzília, Lagoa Dourada, São João del-Rei, Ibituruna, Resende Costa, Carrancas, Prados, Andrelândia, Dores de Campos e Madre de Deus de Minas. O evento é gratuito e espera grande público.

(Texto enviado por Rosângela Oliveira - Diretora de Promoções ACI del-Rei / Assessoria de Comunicação Autoria Design e Eventos)

sexta-feira, outubro 16, 2009

As “Minhas Gerais”

 

Igreja do Rosário SJdR by Savinho (Vista da Igreja do Rosário em São João del-Rei/MG. Foto de Sávio Silva)

Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da UFJF abre inscrições para Mestrado e Doutorado

 

Seleção Doutorado e Mestrado PPCIR-UFJF

Data: 15 de outubro de 2009

Já foram publicados os editais para os processos seletivos para as turmas de 2010 dos cursos de Doutorado e de Mestrado em Ciência da Religião. As inscrições podem ser feitas até o dia 13 de novembro. As provas serão aplicadas de 07 a 09 de dezembro.

 

Maiores informaçoes pelo site:

 http://www.ufjf.br/ppcir/2009/10/15/editais-doutorado-e-mestrado/

sexta-feira, outubro 09, 2009

Nova produção do cinema paraibano

 

Entrevista com os realizadores do curta "Borra de Cafe" ao programa “Diversidade” (TV Itararé/Cultura).

quinta-feira, outubro 08, 2009

Comentando o texto de Greschat

 

Depois de publicar o texto de Hans-Jürgen GRESCHAT penso ser importante fazer alguns comentários ao mesmo, a fim de que não fique a impressão de que eu concorde com ele em sua integridade. Obviamente concordo com a distinção primária que GRESCHAT faz entre os teólogos e os cientistas da religião, e que é a raiz de todo o trecho reproduzido aqui. “Os teólogos são especialistas religiosos. Os cientistas da religião são especialistas em religião”. Esta distinção é também o centro de meu argumento no texto “Então, Augusto, deus existe?”, publicado anteriormente.

Há, sobretudo, um ponto que gostaria de comentar e que diz respeito à afirmação: “Enquanto os teólogos investigam a religião à qual pertencem, os cientistas da religião geralmente se ocupam de outra que não a sua própria”. Lida apressadamente esta frase pode nos fazer acreditar que GRESCHAT está defendendo que somente alguém religioso poderia se ocupar da Ciência da Religião. Claro que isto não é necessariamente assim, e nem me parece ser esta a visão do autor. De fato acredito e defendo que o melhor é que o cientista da religião não seja religioso. Inclusive para evitar o risco de ver sua atividade de pesquisa confundida com aquela do teólogo.

Evidentemente este não é, em minha opinião, um requisito absoluto. Pessoalmente tenho visto muitas pesquisas de colegas que, pertencendo a determinado credo religioso, mantêm sua integridade como pesquisadores não transformando seu labor em apologia de sua religião – mesmo quando a têm por objeto de estudo - ou crítica teologicamente motivada a qualquer outra religião diferente da sua.

No entanto, concordo com o autor quando este afirma que, para que alguém se diga cientista da religião, será necessário distanciar-se criticamente de seu objeto, sem se comprometer a priori com qualquer posicionamento ideológico, seja ele religioso ou teórico.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Dante e Virgílio no Inferno

 

(Um quadro de William Adolphe Bouguereau)

Dante-et-Virgile-au-Enfers-(Dante-and-Virgil-in-Hell)

O que distingue os teólogos dos cientistas da religião?

(Um texto de: Hans-Jürgen Greschat)

Os teólogos são especialistas religiosos. Os cientistas da religião são especialistas em religião. Essa diferença diz respeito a pontos essenciais:

1) Enquanto os teólogos investigam a religião à qual pertencem, os cientistas da religião geralmente se ocupam de outra que não a sua própria. A tarefa do teólogo é proteger e enriquecer sua tradição religiosa. É sua religião que está no centro do seu interesse. A sede de saber teológico diminui à medida que se afasta desse centro. (…).

Os cientistas da religião não prestam um serviço institucional como os teólogos. Não são comandados por nenhum bispo, nem obrigados a dar satisfação a nenhuma instância superior. São autônomos quanto ao seu trabalho. (…) Todavia, os cientistas da religião também têm seus focos temáticos – portanto, quanto mais um assunto deles se afasta, menos acentuado é seu interesse acadêmico. (…)

 

2) Os cientistas da religião optam pela pesquisa de uma determinada religião. Pode ser qualquer uma – potencialmente a escolha é limitada em termos históricos, geográficos ou tipológicos. Há apenas um critério que reduz o espectro dos seus possíveis objetos de estudo: a própria incompetência. Quem não compreende a língua dos adeptos de uma religião, não suporta o clima da região onde ela se encontra ou pensa que a fé em questão não tem valor deveria optar pela pesquisa de um outro objeto. Os teólogos não têm essa liberdade, uma vez que apenas se ocupam de uma religião alheia quando existe a necessidade de comparação com a sua própria. Todavia, quando isso acontece, são obrigados a estudá-la (…).

 

3) Quando os teólogos estudam uma religião alheia, partem da própria fé. Ao investigarem como os outros concebem seu deus, crença ou pecado, tomam a própria religiao como referência. De acordo com seus critérios, avaliam os demais sistemas como “mais próximos” ou “mais distantes” de sua própria religião, ou, até mesmo, enquadram-nos em julgamentos que determinam categorias do tipo “o objeto traz algumas características religiosas” ou “apenas magia”. Todavia, se algo é natural e indubitavelmente visto como semelhante, criam facilmente pontes entre a própria religião e a outra. Procedimentos desse tipo geralmente não possibilitam um encontro com o outro, ou seja, não chegam a um verdadeiro conhecimento de outra fé. Em outras palavras: são estritos demais para aprofundar a relação com o objeto de estudo.

Não é oportuno para os cientistas da religião avaliar outra fé com base na própria. Eles têm a liberdade de pesquisar uma crença alheia sem preconceitos. A questão é apenas saber o quanto dessa liberdade eles suportam. É mais fácil descobrir algo quando se sabe com antecedência o que procurar; por conta disso, há cientistas da religião que têm por costume apropriar-se de critérios já estabelecidos para classificar elementos ou universos como “animismo”, “magia” ou “politeísmo”. Isso significa que não apenas preconceitos religiosos, mas também atitudes intelectuais podem distorcer a compreensão de fenômenos pesquisados no âmbito da Ciência da Religião.

 

4) Os fiéis de uma determinada crença é que vão informar se entendemos adequadamente uma fé alheia. Consultar adeptos de uma religião pesquisada é um teste de segurança que permite diferenciar descrições válidas e não válidas do ponto de vista da história da religião. Os teólogos têm meios próprios para distinguir o que é “verdadeiro” e o que é “falso” na área da religião. Para eles, a própria fé – e não a de outras pessoas – é a norma decisiva, uma vez que apenas ela é considerada verdadeira em oposição às outras, que são avaliadas como falhas.

(GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que distingue os teólogos dos cientistas da religião? In: ______. O que é Ciência da Religião? Paulinas: São Paulo, 2005. p. 155-157. Excertos. Tradução: Frank Usarski.)

segunda-feira, outubro 05, 2009

“Então, Augusto, deus existe?”

 

Há alguns dias uma amiga, ao saber que tenho me dedicado ao estudo dos fenômenos religiosos, me perguntou à “queima roupa”: - “Então, Augusto, deus existe?”. Sua pressuposição era que, sendo doutorando em Ciência da Religião, eu deveria constantemente me debruçar sobre esta questão e ter, ao menos provisoriamente, uma resposta “erudita” sobre o tema. Ou, quem sabe, ela só queria começar amigavelmente uma conversa tocando num assunto que todo mundo sabe que me instiga.

 

Bem, o fato é que esta não foi a primeira vez, e possivelmente não será também a última, que me fazem este tipo de questão. Acredito que vários colegas do campo disciplinar da Ciência da Religião passam por experiências semelhantes não muito raramente. As pessoas às vezes pensam que faço algo ligado diretamente à Teologia. Que serei padre, pastor, capelão de alguma coisa… ou, simplesmente, que por estudar o Espiritismo eu seja algo como um “teólogo espírita”, se algo assim fosse mesmo possível.

 

Não é nada disto! Aliás, esta é a mesma confusão que o Ministério da Educação e Cultura tem feito ao propor, através da Consulta Pública dos Referenciais Nacionais dos Cursos de Graduação, que os cursos de graduação que hoje levam a nomenclatura “Ciência da Religião” (e suas variações tais como Ciências da Religião; Ciencias das Religiões e Ciência das Religiões), sejam todos subssumidos sob o nome genérico “Teologia”. O que mostra a incompreensão generalizada sobre esta área acadêmica, ainda incipiente no Brasil, mas com larga tradição na Europa e na América do Norte.  O MEC, sob o pretexto de promover uma “convergência de denominação”, ignora as peculiaridade epistemológicas tanto da Teologia quanto da Ciência da Religião.

 

Bem, a questão que dá título a este post é apenas um exemplo de como a Ciência da Religião dista da Teologia. O cientista da religião não precisa pressupor a existência de deus (ou de deuses), nem a sua não-existência, para executar bem seu trabalho. Ele não precisa nem mesmo ser religioso para tanto. Em minha opinião é até melhor que não o seja, a fim de evitar que seu trabalho, sua pesquisa, se torne apenas um trabalho de apologia de sua crença pessoal. Ao contrário, embora muitas vezes a Teologia já não se debruce mais sobre a questão da existência de deus, ela pressupõe não só uma resposta afirmativa a esta questão, mas a possibilidade de que este deus se comunique e transmita sua vontade ao mundo.

 

De minha parte, no que toca a esta questão,  faço como fiz com aquela amiga, devolvo a pergunta: E aí, pessoal, deus existe?

segunda-feira, setembro 21, 2009

ÓRFÃ NA JANELA

 

Estou com saudade de Deus,

uma saudade tão funda que me seca.

Estou como uma palha e nada me conforta.

O amor hoje está tão pobre, tem gripe,

meu hálito não está para salões.

Fico em casa esperando Deus,

cavacando a unha, fungando meu nariz choroso,

querendo um poster dele no meu quarto,

gostando igual antigamente

da palavra crepúsculo.

Que mundo é desterro eu toda vida soube.

Quando o sol vai embora é pra casa de Deus que vai,

pra casa onde está meu pai.

(Adélia PRADO, in: O coração disparado, p.111).

 

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quinta-feira, setembro 17, 2009

A título de agradecimento

Quero agradecer a Marcela Amorim, a Paulo César Terra, a Janavatsala Devi Dasi (Gleide) , a Luiz Paulo, a João Paulo Grava, a Krishna Mayi Devi Dasi (Kátia Quadros), a Débora Bacarense, a Márcio Leite de Bessa, a Jorge dos Santos e a Vital Cruvinel, pelo incentivo, vindo por todos os meios e com as melhores palavras , no retorno das “Mansões”, e pela amizade.

Forte abraço!

segunda-feira, setembro 14, 2009

O estudo da obra de Allan Kardec.

 
(Allan Kardec - 1804-1869)

 

Gostaria de contar um pouco como foi que se processou essa mudança em meu objeto de estudo, e o que me levou a buscar a obra de Allan Kardec (1804-1869) como tema de meu doutorado.


Como sabem, meu mestrado em Ciência da Religião foi desenvolvido em torno da obra do filósofo alemão Martin Heidegger (1888– 1976). O que foi uma continuaçao natural do trabalho que vinha desenvolvendo durante os anos 1998-2001, os anos de minha graduação em Filosofia. Assim, quando entrei no Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião (PPCIR) da Universidade Federal de Juiz de Fora, em 2002, pensei que seria adequado permanecer na área de concentração Filosofia da Religião.

O que poucos de vocês sabem é que meu projeto inicial não era exatamente este. Minha proposta de pesquisa, escrita para o processo seletivo voltava-se para uma leitura hermenêutica do clássico indiano Bhagavad-gita a partir do conceito heideggeriano de verdade. Muito sabiamente, no entanto, fui aconselhado pela banca a reduzir meu objeto aos conceitos de verdade e de linguagem em Heidegger. De fato, foi melhor assim, uma vez que não haveria tempo hábil para um apesquisa como aquela.

Bem, o tempo passou, vim viver na Paraiba (onde sou muitíssimo feliz, diga-se), tive algumas experiências docentes, e meu interesse acadêmico foi se definindo melhor.

De fato, a Filosofia continua sendo o lugar onde me movo com mais naturalidade – minhas incursões no âmbito das Ciências Sociais ainda são incipientes. Mas, meu principal interesse no campo disciplinar da Ciência da Religião sempre foi o que tenho chamado de “textos-fonte” da experiência religiosa. O que demonstra o exemplo do projeto do mestrado.

A partir disso vocês bem podem imaginar como me interessei por Kardec e sua obra. Eu procurava delimitar um objeto para a seleção do doutorado há algum tempo, e, em 2008, resolvi reler alguns livros da obra kardeciana. Como tenho alguns amigos espíritas e como eu mesmo já visitei alguns centros espíritas (e ainda visito, vez ou outra), comecei a comparar o que lia com o discurso que ouvia dos adeptos do espiritismo. Tal comparação deu-me a sensação de que em vários pontos – e com justificadarazão histórica – estes dois discursos diferiam significativamente. Principalmente quando se tratava daquilo que se convencionou chamar de o “tríplice aspecto da doutrina espírita” – a afirmativa de que o espiritismo é a um só tempo ciência, filosofia e religião. Percebi nisto uma possibilidade interessante para a pesquisa que gostaria de realizar.

Por fim, uma breve e superficial revisão na literatura acadêmica brasileira sobre espiritismo – a maioria dela desenvolvida do ãmbito das Ciências Sociais - deu-me a sensação de que, embora o espiritismo seja relativamente bem estudado no Brasil, como um grupo expressivo do campo religioso brasileiro, o estudo da obra de Kardec carecia de uma atenção maior.

Foi assim que a coisa se deu. Atualmente estou começando a fase das releituras para os primeiros esboços de capítulos da tese.

É isso aí…

domingo, setembro 13, 2009

Quando chega a hora?

Eu contei para meus pais de minha homossexualidade quando eu tinha 18 anos. Essa era a situação: morava em outra cidade (por causa da universidade) a pouco mais de 1 ano e eles estavam separados a menos de 1 ano.

Primeiro falei para meu pai, típica conversa de “pai pra filho”, numa visita de fim de semana. Ele perguntou se eu namorava e essas coisas… foi dizendo os nomes de uma amigas minhas… e eu dizendo que ele estava longe. Então ele falou o nome de, para ele, um amigo meu. Eu disse que era com ele que eu namorava. Ele me perguntou se era uma fase ou se eu gostava mesmo “disso” (sic). Eu disse que era gay mesmo. Ele disse que nada mudaria, que me amava e tudo mais. E nada mudou.

Com minha mãe foi um pouco mais dramático. Ela e meu pai brigaram por causa de um “segredo” meu que ele sabia e ela não. Disse-me que eu não confiava nela, que não a amava e saiu andando pela rua, altas horas da noite e na chuva …eu fui atrás dela disposto a encerrar essa confusão. Ela me perguntou que segredo era esse… se eu era drogado.. eu disse que não (querendo rir, mas respeitando seu choro)… perguntou se eu era gay… eu disse que era… e ela disse: “- Só isso!? Por que não me contou logo??” e também disse que me amava e que nada mudaria… e não mudou.

Faz dez anos que isso aconteceu. Eu ainda era dependente financeiramente falando (precisava de apoio para me sustentar em outra cidade durante a graduação). Na minha cabeça, o simples fato de eles saberem e apoiarem era o suficiente. Aos meus irmãos, (um casal e pouco mais jovens que eu), não achei necessário contar naquela época. Eles tinham a separação dos meus pais para digerir.

Mas quem são meus pais? Jovens dos anos 70/80. Minha mãe é professora de inglês de escolas públicas (na época que ela soube tinha 41 anos). Meu pai é taxista e ex-comunista (na época ele tinha 40 anos). Crescemos ouvindo que eles nos amavam e só queriam que fôssemos felizes. Eles tinham amigos gays e os respeitavam muito.

O que eu quero dizer com minha estória é que, como já falaram, não depende só da idade para contar para seus pais. Mas da maturidade: sua e deles.

E aí só cada um de nós, sabe os pais que tem em casa.

Estou “casado” fazem três anos. Todo mundo na minha família e na dele, no trabalho e entre nossos amigos sabe de nós. Mas tudo foi um processo de conquistas.E gays, pelo bem e pelo mal, têm que conquistar respeito em dobro.


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(Texto de João de Lima Neto. Originalmente publicado em: http://homofobiajaera.wordpress.com/2009/09/11/quando-chega-a-hora/#comments ).


Uma pequena amostra do talento e do caráter de meu companheiro da vida inteira.

Saudações!

terça-feira, setembro 08, 2009

De volta à Paraíba

Depois de meses nas Minas Gerais, entre Barbacena e Juiz de Fora, nas lides do doutorado, estou de volta à Paraíba, desde ontem (07/09/2009).

Foi um período de muita saudade, mas de realizações importantes. Já consegui montar um índice geral de hipóteses para o trabalho de desenvolvimento da tese, com o detalhamento de cada capítulo (serão 5 ao todo). Agora é trabalhar rumo ao exame de qualificação no próximo ano.

Estou bem entusiasmado com a pesquisa, acho mesmo que o trabalho ficará bom.

O pior desses meses em Minas foi a saudade de João. Mas agora passou… é bom estar em casa novamente! E, percebi, minha casa é onde ele está.

Por enquanto é isso aí.

Abraços!

segunda-feira, agosto 03, 2009

Bem, bem... mais notícias.

Sei que tenho demorado um pouco a postar atualizações. Sei também que, por causa disto, os poucos leitores que eu tinha acabaram desistindo de acompanhar as minhas Mansões. Mas... c'est la vie! Espero poder escrever mais frequentemente por aqui agora. Sei que sempre falo isso, mas eu mesmo nunca perco a esperança.

Bem, algumas notícias: Acabo de passar um mês com João em Campina Grande e estou me preparando para voltar para Minas amanhã (terça, 04 de agosto de 2009). Espero que não por muito tempo, uma vez que não tenho mais créditos a cumprir no doutorado, exceto a pesquisa.

O último semestre foi proveitoso ao extremo. O projeto de tese tem tomado um perfil mais bem definido, e estou muitíssimo entusiasmado com o possível resultado.

Por enquanto é isso...
Xero, abraço, beijo e que tais!

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Nova Fase em Juiz de Fora e adjacências...

Há poucos dias recebi algumas mensagens de amigos pedindo notícias via blog. Bem, aí vão elas:

Em dezembro passado me submeti ao exame de seleção para o Doutorado em Ciência da Religião, do Programa de Pós-graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora - MG, e fui aprovado. Portanto, a partir de Março próximo estarei novamente em Juiz de Fora.

Ainda não sei se morarei por lá, ou se ficarei em Barbacena (na casa de meus pais), enquanto curso os créditos. De qualquer forma, estarei nas Minas Gerais a partir de 13 de fevereiro próximo.

Meu projeto se intitula: "O Espiritismo, esta loucura do século XIX": Ciência, Filosofia e Religião nos escritos de Allan Kardec. Em outra oportunidade escrevo um pouco mais sobre a pesquisa.

That´s all folks!
Abraço pra quem é de abraço. Beijo pra quem é de beijo.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Saiu na mídia

23/01/2008 - 08h31


Casais gays são 'mais satisfeitos com relação', diz estudo
Dois estudos americanos publicados nesta semana sugerem que casais do mesmo sexo são tão ou mais comprometidos e satisfeitos com a relação do que os casais heterossexuais. As duas pesquisas - uma realizada na Universidade de Illinois e a outra nas universidades de Washington, San Diego e Vermont, nos Estados Unidos- compararam vários fatores da relação de casais do mesmo sexo e heterossexuais. O primeiro estudo analisou o nível de satisfação entre casais de diferentes orientações sexuais, além do impacto da legalização da relação (casamento ou união civil) na qualidade do relacionamento. Nesta pesquisa, os cientistas ressaltam que os casais do mesmo sexo estavam mais satisfeitos com a relação que os casais heterossexuais, independente da formalização do relacionamento. No segundo estudo, os psicólogos observaram a interação entre os casais e indica que os casais do mesmo sexo têm uma visão positiva e comprometida sobre o relacionamento, similar a dos casais heteros. As pesquisas contrariam os estereótipos vinculados aos casais homossexuais sobre a promiscuidade e a falta de comprometimento. Os estudos fazem parte da edição especial de janeiro da revista científica Developmental Psychology, que traz uma seção sobre orientação sexual.
Formalização Os pesquisadores analisaram 442 casais heterossexuais e homossexuais, casados, em união civil e casais sem status legal durante um período de três anos. O estudo indica ainda que os casais do mesmo sexo apresentam uma visão mais positiva dos parceiros e tinham menos brigas que os casais heterossexuais casados. De acordo com Kimberly Balsam, que liderou a pesquisa, a pressão da sociedade pode ser a causa dos casais héteros permanecerem na relação, mesmo que infelizes. "A maioria dos casais homossexuais em relação duradoura permanecem juntos por vontade própria já que não têm a sociedade a seu favor", disse. Este foi o primeiro estudo que realizou um acompanhamento de casais do mesmo sexo durante um período longo. Interação No segundo estudo, os pesquisadores analisaram a interação de 30 casais gays, 30 casais de lésbicas, 50 casais heterossexuais, além de 40 casais idosos casados e casais heterossexuais em início de namoro. A pesquisa foi feita com base nas respostas para um questionário e na observação da interação entre os casais durante uma sessão de laboratório, onde foram monitorados o batimento cardíaco e a temperatura da pele para indicar o nervosismo dos participantes. Os resultados indicam que casais do mesmo sexo são muito parecidos com casais heteros, e apresentam uma visão positiva sobre o relacionamento. A pesquisa aponta ainda que, entre os participantes, aqueles casados e mais comprometidos, independente de orientação sexual, resolviam os problemas com mais facilidade. Segundo os autores, as lésbicas demonstraram mais harmonia durante a sessão no laboratório que outros casais heteros e do mesmo sexo.
"Os comportamentos atípicos, imaturos e malevolentes atribuídos aos casais homossexuais não foram comprovados pela nossa pesquisa", afirmou Glenn Roisman, principal autor do estudo.

terça-feira, dezembro 19, 2006

E agora que o fim do ano se aproxima...


... muitas reflexões podem ser feitas. E eu teria várias a compartilhar com vocês. Poderia dizer, por exemplo, como o tempo passou rapidamente. Ou, quem sabe, poderia falar dos projetos para o ano vindouro. Até mesmo poderia colocar uma mensagem de final de ano que falasse de esperança de dias melhores, onde senadores e deputados não se auto-concedessem aumentos salariais exorbitantes. Mas, nada disso seria eu mesmo.
O que sou de maneira absoluta também me escapa. Não tenho domínio sobre isso. Somente possuo a experiência cotidiana com aquilo que alguns chamariam de mente. E, nos últimos tempos, tenho angariado uma vasta experiência, eu lhes garanto. Observar os movimentos desta minha fonte de identificação tem me feito refletir muito. Perceber que seus desejos, caprichos, e qualidades excepcionais formam, ao menos temporariamente, algo que posso dar um nome, o meu nome. Hoje, estou mais convicto de que não devo fugir destas identificações, mas ao contrário, assumí-las para dar-lhes um sentido próprio e único. Pois, se há alguma chance de felicidade se encontra no momento presente e naquilo que se é agora.
Dito isso sou até capaz de fazer planos, ou antes, de me abrir para as possibilidades que o futuro pode me reservar. Mas, este é um outro capítulo, ainda a ser escrito.
Beijo grande a todos!

quarta-feira, novembro 29, 2006

Uma ilustração de mim.

Cântico sagrado.

Quando à força das palavras
entrego-me impotente, no fundo
vazio de mim mesmo, experencio
o silêncio em toda sua real eloqüência.

E todas as coisas emergem de seu
abismo escuro em cores e formas
com a intensidade do verdadeiro.

No centro, para onde tudo converge,
simultâneo o deus se alegra e se retira,
se expande e, em seu ser, tudo retrai:
os nomes se dão.

E em mim, de ouvidos moucos
a todo o resto, reverbera como em
catedral a palavra misteriosa
que tudo revela.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Quando a Educação guia o Turismo.

São João del Rei (MG) está na vanguarda ao incluir um programa de educação patrimonial no currículo escolar. Medida, que conta com o apoio da Unesco, é uma dentre várias que promete mudar a relação entre a cidade, moradores e turistas.

Perceber a vocação de uma cidade é o primeiro passo para se trabalhar no desenvolvimento desse potencial. Parece óbvio que São João del Rei deve se atentar para o turismo cultural e de lazer. Há muitos motivos para tal, em que se notabiliza o enorme patrimônio cultural e natural aqui presente. Mas nada acontece fortuitamente. A cidade não é a única a oferecer tais atrativos e precisa criar uma estrutura e um ambiente receptivo aos visitantes. Mais importante ainda: fortalecer os laços dos são-joanenses com sua terra natal, conscientizando-os da importância da conservação.

Preservar a memória de um povo é uma das melhores formas de alcançar esse objetivo. Ciente dessa necessidade, Maria Teresa Resende Raposo apresentou ao programa Monumenta, da Unesco, o projeto “AQUI A EDUCAÇÃO GUIA O TURISMO”. Aprovado, o projeto passou a receber verbas para investir na educação patrimonial, cidadania cultural e turismo cultural. Muitas atividades foram executadas no último ano. A atividade mais recente é a mais motivante para Maria Teresa. Trata-se da Jornada Municipal do Patrimônio, produto da implementação do programa municipal de Educação Patrimonial (lei 3.826, de 03 de março de 2004).

A Jornada envolve oficinas, feiras, mostras e palestras de educação patrimonial nas escolas municipais, organizadas pelas Supervisoras Municipais qualificadas como Multiplicadoras da Metodologia da Educação Patrimonial. Elas trabalham Lm programa de diretamente com as crianças da rede municipal. Escolhem um bem patrimonial considerado importante e realizam uma série de trabalhos envolvendo o bem escolhido. Desde pinturas e colagens até entrevistas com pessoas ligadas àquele patrimônio. Por fim, elaboram uma ficha de catalogação e registram, simbolicamente, o bem no LIVRO DO TOMBINHO.

Faz parte da jornada uma disputa no quadro quizz, do programa Vivacidade da Rádio Vertentes FM e a participação na Corrida de Orientação, percorrendo o centro histórico. Nos dois casos devem-se responder questões sobre o patrimônio são-joanense. Mas a jornada é apenas uma das várias medidas adotadas. A elaboração e edição de guia turístico da Trilha dos Inconfidentes (trecho da Estrada Real que tem São João del Rei como cidade pólo) em inglês, com distribuição gratuita às operadoras de turismo internacional, embaixadas, receptivos internacionais, agências estrangeiras, entre outros é mais um exemplo. Com tiragem de 10 mil exemplares na 1a. edição, contemplará o roteiro clássico (patrimônio arquitetônico), ecológico, festas e eventos culturais, roteiros alternativos (cidades vizinhas), roteiro de arte e artesanato e informações de serviços turísticos.

Para bem receber os visitantes, foi criado o curso de Formação e Treinamento básico de Condutores de Turistas Estrangeiros. Condutores de turistas foram treinados em educação e interpretação do patrimônio; curso intensivo de inglês e princípios básicos de comunicação e atendimento ao turista. Visando a continuidade do aprimoramento, será inaugurada uma cooperativa aberta dos condutores com orientação da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP) da UFSJ.

O desafio de criar essa consciência patrimonial inclui parceria com a Associação Comercial, através do projeto Empresas Apaixonadas e instalação de painéis em ônibus urbanos com informações sobre a cidade. Há ainda a preocupação de criar novos patrimônios. A colaboração da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e da Secretaria de Educação se faz fundamental para consolidar um processo permanente de apropriação dos bens culturais da cidade pelos seus moradores e visitantes. O lançamento da primeira edição de um Almanaque de Educação Patrimonial promete ser outra importante ferramenta nesse intuito.

Todo o trabalho será coroado e apresentado à população durante o Seminário do Patrimônio, no dia 30 deste mês, a partir das 17 horas, no Anfiteatro do Campus Santo Antônio da UFSJ. Durante o evento, acontece o Ciclo de Palestras onde serão abordados temas como a história da cidade e razões para a preservação, a Sessão Temática onde serão narradas as experiências de Educação Patrimonial em São João Del Rei e a Mesa Redonda para discussão dos desafios da gestão do patrimônio cultural.

Informações para a imprensa:
Maria Teresa Resende Raposo – coordenadora do projeto AQUI A EDUCAÇÃO GUIA O TURISMO
Telefones: (32) 3372-2895 / (32) 9906-9066
E-mail: ciatur@mgconecta.com.br
____________________________
Maria Teresa Resende Raposo é minha amiga e coordena o projeto divulgado acima. Ela me enviou esta mensagem e eu decidi publicar aqui para que vocês pudessem ler.
Aproveito para registrar meus parabéns à Maria Teresa e sua equipe pelo excelente trabalho em favor da preservação do patrimônio histórico.
Bhaktisiddhanta Dasa.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Sempre a mesma velha polêmica.


A revista Época desta semana (13 de novembro de 2006) traz como reportagem de capa uma polêmica que, na minha opinião, é das mais anacrônicas: a polêmica entre Ciência e Religião. De fato, o que me parece é que esta reportagem foi feito com o único intuito de propagandear o novo lançamento da Editora Globo, o livro Quebrando o encanto, do cientista americano Daniel C. Dennet.
Os termos em que a discussão é colocada são os termos de uma questão vazia de sentido. Os cientistas ateus de um lado dizendo que, como a existência do deus não pode ser provada pelo método científico, logo ele não existe; e de outro lado, os religiosos fundamentalistas que afirmam ser a Bíblia (e outras fontes reveladas, nas tradições não-cristãs) portadora de uma verdade objetiva. E isso numa época em que nem mesmo a ciência preconiza mais a existência de um tal tipo de verdade.
Bem, de qualquer forma vale a leitura do artigo e vale também acompanhar a discussão no endereço da revista (www.epoca.com.br).

segunda-feira, novembro 13, 2006

Em resposta a Janavatsala.

Querida amiga Janavatsala:

É verdade, é possível ser feliz neste mundo. Não aquela felicidade perene que as escrituras das diversas religiões prometem para um tempo futuro, o qual não existe de fato. Mas, é possível uma felicidade concreta, feita de momentos mais ou menos intensos. E, mesmo quando sofremos, ainda é possível identificá-la como pano de fundo de todo o resto.
Honestamente, eu acredito nesta felicidade e não naquela outra das ficções futuristas. Decidi pela felicidade agora e tenho agido nesta medida. Isso porque minha felicidade atual (aquela que não depende de nenhuma condição futura) tem uma fonte perene e inesgotável: o amor. Sim, o amor por mim, em primeiro lugar. Um amor sem o qual não é possível amar outras pessoas, nem mesmo ao deus. Esse amor, cara amiga, é verdadeira sabedoria.
Lembro-me de Platão neste momento com sua dialética ascendente do amor. Primeiro é preciso partir do mais concreto em direção ao mais abstrato e inteligível. Amo em primeiro lugar os corpos e as formas do mundo sensível, para em seguida, nelas, passar a contemplar e amar de um amor impossível todo o resto. Claro, em Platão isso soa diferente. Mas estou me apropriando da concepção platônica para fazer ver a profundidade de minha própria situação.
Alguns podem dizer: ilusão! Mas, perdem aqueles que não entram no jogo (in-ludere). A vida é jogo, por isso estamos todos iludidos, enfim. Eu, ao menos, me sei em jogo. E como um cachorrinho que se diverte com a bola de papel, nã preciso de mais nada para ser eu mesmo.
Não sei estou sendo claro o suficiente. De qualquer forma, temo a clareza e a distinção como a pecados capitais do pensamento. Mas, ainda assim penso que você me compreende.
Irei vê-los em breve.
Com saudade:
Bhaktisiddhanta Dasa.
_______________________________
A carta acima é para Janavatasala, minha amiga. Mas, simultaneamente é para todos meus amigos e amigas; e para aqueles que puderem compreender minha linguagem.

segunda-feira, novembro 06, 2006

II Semana Filosófica da UEPB

Aos interessados:
Começa hoje (06/11/06), com o tema Filosofia, educação e sociedade, a II Semana Filosófica da UEPB. Às 19:00h no Auditório do Teatro Municipal Rosil Cavalcanti acontcerá a conferência de abertura - O Fundamento da Educação Filosófica em Platão - com a Profa. Dra. Gisele Amaral dos Santos (UFPB).
Amanhã (07/11/06) inciam-se os mini-cursos. Maiores informações no CEDUC II, na secretaria do curso de Filosofia, ou pelos telefones: 3310-9712 / 3310-9713 / 3310-9715.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Que ninguém tema a felicidade...

O Blog amigo "Amorica" (veja o link ao lado), me trouxe a inspiração para o post de hoje. Claro, a inspiração vem da vida também que não poderia estar sendo mais generosa comigo. Um amor, muita felicidade, um sonho se realizando...
Sim, eu tô besta mesmo! Mas, porque não deveria estar? Por que alguém deveria temer a felicidade? Por causa da dor? Mas, se como me disse recentemente minha amiga Carla Capitani, por sua vez inspirada em Clarice Lispector, "el dolor y la felicidad, son signos vitales", porque eu deveria temer qualquer uma delas?
Estar vivo é um privilégio! Eu vivo... e vocês?
P.S.: Hoje se completam quinze dias... e é como se você sempre tivesse estado aqui comigo!

quinta-feira, outubro 19, 2006

Não há verdade além das aparências.

Este é o grande ganho da fenomenologia filosófica: as coisas são aquilo que mostram ser. Não há algo a ser buscado para além das aparências. Tudo o que é, de fato, somente é em suas aparições. A verdade do ente não é algo a ser buscado, uma vez que já nela nos encontramos. Como diria Merleau-Ponty: "Nós estamos na verdade, e a evidência é a experiência da verdade."
Enquanto acreditarmos e defendermos que o lugar da verdade é o conceito, o juízo, o enunciado (como se fosse mesmo possível uma topologia da verdade) estaremos privados de uma real percepção da experiência com a verdade na qual estamos quotidianamente lançados.
A crença amplamente difundida de que há algo além das aparências a ser conhecido torna-nos cegos à beleza da própria manifestação daquilo que buscamos. Tornamo-nos filósofos profissionais, teólogos, cientistas, etc. Nos esquecendo que é melhor sermos pensadores, místicos, poetas.
O filósofo profissional, preso a seus sistemas metafísicos, embora se encontre na experiência com a verdade, torna-se um dogmático porque não pensa tal experiência. Ou antes, não se detém junto a ela para realmente percorrer o caminho da experiência. Como dissemos na epígrafe destas Mansões, tal pensamento (o do filósofo profissional) não se demora junto ao que deve ser pensado. Parece-me ser a isto que Heidegger acena ao afirmar em Ser e Tempo:
Por mais rico e estruturado que possa ser o seu sistema de categorias, toda ontologia permanece, no fundo, cega e uma distorção de seu propósito mais autêntico se, previamente, não houver esclarecido, de maneira suficiente, o sentido de ser e não tiver compreendido esse esclarecimento como sua tarefa fundamental.
Assim, um pensamento que não atente à abertura essencial do homem em relação ao mundo, que não se situe no bojo mesmo da experiência com os entes que lhe vêm ao encontro dentro do mundo, no aberto do mundo, fecha-se dogmaticamente e torna-se, em última instância cego e distorcido em seu propósito mais autêntico.
Um pensamento que desconsidere a aparência, que nada mais é que a essencialização dos fenômenos, sua manifestação primária e imediata, em busca de algo além, corre o risco de morrer antes mesmo de cumprir seu papel originário.

Pequeno clamor

O vento canta na copa das árvores,
parece um lamento.
Parece um sonho que me convoca
a me reunir em mim, enquanto
o sol fustiga minha pele.
E eu, seco e coberto de pó,
me oculto de Teus olhos,
infinitos olhos imaculados.

Por que não Te revelas em definitivo?
Por que Te ocultas nos corpos,
nomes e formas se este mundo
em tudo se desassemelha de Ti?

quarta-feira, outubro 18, 2006

Porque as coisas passarão...

... eu passarinho.

Começo hoje parafraseando Mário Quintana porque a poesia salva e consagra o pensamento, erige-o.
Sim, as coisas estão acontecendo em minha vida de uma maneira antes insuspeita. Sim, estou em paz com tudo e com todos, porque amo de um amor sereno e livre. E, amando uma pessoa, amo o mundo inteiro.
Talvez pudéssemos fazer aqui uma metafísica do amor, mas a metafísica anda em declínio por estas bandas. E é bom que esteja. Toda metafísica anula, dilacera em função do sistema e das crenças prévias. Toda metafísica tolhe o espaço da liberdade e da criatividade. E o amor não cabe em sistemas. O amor não pode ser contido na instância das crenças, experiência única de liberdade que é.
Lembro-me de Heidegger (pra variar): liberdade é deixar-ser! No deixar-ser o encontro do que vem ao encontro. Neste caso a pessoa mais linda e profunda que pude sonhar! O outro. Íntegro, forte, pleno...
Estou feliz porque sou mais eu mesmo do que nunca! Porque a base de toda ética é a veracidade, e já não minto. Iludo-me, talvez. Mas, iludir-se é estar no jogo (in-ludere), e isto é a única coisa que realmente importa: o lúdico.
O óbvio do poema de Quintana é que tudo passa, mas eu permaneço intacto, livre como um passarinho. Elas (as coisas) passam por mim, mas não me prendem em seu visgo. Ao contrário, ainda mais me libertam inclusive de mim mesmo. Já não estou só.
Claro, a solidão existencial sempre persiste. É bom que seja assim. Ainda sou o mesmo. E é como se nunca houvesse um tempo anterior a este que vivo agora. As coisas passarão...
Beijos.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Meu sumiço...


Sim, eu sumi... por uma boa causa, claro! Passei o fim-de-semana prolongado em João Pessoa. Com tempo de sobra pra descansar e otras cositas mas... porque ninguém é de ferro, né?
A foto acima é do retorno. Na estrada... by José Sankárshana. O sujeito de branco é o João.
Muita coisa passando pela cabeça agora, muita coisa (boa) acontecendo, algumas idéias novas (e sempre antigas) surgindo.
Vem aí a Semana de Filosofia da UEPB e, depois, em dezembro, um colóquio de Ciência da Religião em João Pessoa (UFPB). Trabalhando pra apresentar alguma coisa por lá. Aqui, vou dar um curso sobre o conceito de verdade em Heidegger.
Bem, é isso... Tô na pressa. Depois escrevo melhor.

terça-feira, outubro 10, 2006

Só porque a Lara pediu.

Não sou poeta, Larinha! Deixe disso! Menos ainda fotógrafo. Mas, porque você pediu tem uns versinhos que fiz de graça, num momento em que Sri Sri Radha-Govinda pareciam muito distantes... É para Eles e pra você, minha amiga.
__________________________________
Minhas coisas andam perdidas,
meu pensamento ainda vaga
por um nada infinito;
e eu, que nem existo, nem nada,
sou vítima de Tua Verdade Alada.
Celebrações votivas,
a curva do ano em que morrerei,
em que estou morto há séculos.
Mas subsisto, nas linhas tênues
de Teus olhos indiferentes,
de Tua forma inerte e dourada
sobre o altar.

domingo, outubro 08, 2006

Libertas quae sera tamen!

A poesia salva, revigora, fortalece em momentos como os de agora em que a solidão é a marca mais forte de meu ser-no-mundo. Como os que realmente me conhecem sabem, tal solidão não me assusta, ao contrário, fascina-me sobremaneira.
Hoje sinto-me livre! Livre da mediocridade dos amores mal correspondidos, da vulgaridade alheia... Livre de sentimentos! Hoje, sou eu mesmo novamente.

sábado, outubro 07, 2006

Alguém fez um poema...


Que te demores, que me persigas
Como alguns perseguem as tulipas
Para prover o esquecimento de si.
Que te demores
Cobrindo-me de sumos e de tintas
Na minha noite de fomes.
Reflete-me. Sou teu destino e poente.
Dorme.
(Hilda Hilst. "Da Noite", X).


Beleza e solidão neste poema de Hilda Hilst. Beleza e solidão em mim, graças ao deus.
Sorte minha que não me surpreendo com a condição humana, dela sou íntimo.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Poesia, sempre poesia...

Desculpem-me por voltar a vocês hoje. Mas, não posso deixar de partilhar a salvação que me trouxe Adélia Prado. Vejam:
CORRIDINHO
O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem, chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.
(Adélia Prado, "O coração disparado e a língua seca").

Ensaio 2 (Vista da Varanda)


A foto não está tão boa, mas quando o sol bate nas paredes das casas do outro lado da rua tudo ganha uma exuberância infinita. É um luxo morar sozinho! Desfrutar do silêncio da solidão ocasionais... Desfrutar dos amigos que aqui aparecem inopinadamente (não é Eka Rsi?! Rsrs...). Tudo isso faz com que a força da vida se imponha de maneira incomparável!
Olhar a exuberância do sol nas paredes batidas da casa em frente é o mais próximo que preciso estar da Verdade!
Abraços e beijos:
Bhaktisiddhanta Dasa
(Augusto Araujo)

quarta-feira, outubro 04, 2006

Na noite... sozinho...


Essa foto ficou meio vampírica! Hehehe... Algo como um alter ego, eu acho! Lembra Douglas, dos livros da Anne Rice? De como nós os líamos e depois os discutíamos sentados naquele café em Juiz de Fora? Saudade...

Hoje me sinto meio como os personagens de Anne Rice: desesperados (=sem esperança), solitários, etc... Daí a imagem.
Minha felicidade, atualmente, vem daquele par de olhos castanhos, e daquele sorriso! Eles vieram me ver e me concederam o melhor início de noite que poderia desejar.
Saudades de alguns amigos... saudade das Minhas Gerais...
Saudade...

segunda-feira, outubro 02, 2006

Carpe Diem

É, caro amigo anônimo (ou será anônima?), eu sei disso, sempre soube. Hoje, mais do que nunca eu preciso saber que posso contribuir com um verso. A vida anda tão prosaica, os problemas se sucedem e tento me manter forte, apesar de tudo.
Colher a vida, o dia, o instante...
Eu, o de sempre.