Diz-se que Heráclito assim teria respondido aos estrangeiros vindos na intenção de observá-lo. Ao chegarem, viram-no aquecendo-se junto ao fogo. Ali permaneceram, de pé, (impressionados sobretudo porque) ele os encorajou a entrar, pronunciando as seguintes palavras: 'Mesmo aqui, os deuses também estão presentes'. (Aristóteles. De part. anim. , A5 645a 17ff).

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Moralidade independe de religião, diz estudo

Crença divina seria produto, e não causa, de comportamentos sociais

Herton Escobar

De onde vem a religião? O fato de que todas as sociedades humanas conhecidas acreditam (ou acreditavam) em algum tipo de divindade - seja ela Deus, Alá, Zeus, o Sol, a Montanha ou espíritos da floresta - intriga os cientistas, que há tempos buscam uma explicação evolutiva para esse fenômeno.

Seria a religião uma característica com raiz evolutiva própria, selecionada naturalmente por sua capacidade de promover a moralidade e a cooperação entre indivíduos não aparentados de uma população? Ou seria ela um subproduto de outras características evolutivas que favorecem esse comportamento social independentemente de crenças religiosas?

A origem mais provável é a segunda, de acordo com um artigo científico publicado ontem na revista Trends in Cognitive Sciences. Os autores fazem uma revisão dos estudos já publicados sobre o tema e concluem que nem a cooperação nem a moralidade dependem da religião para existir, apesar de serem influenciadas por ela.

"A cooperação é possível graças a um conjunto de mecanismos mentais que não são específicos da religião. Julgamentos morais dependem desses mecanismos e parecem operar independentemente da formação religiosa individual", escrevem os autores. "A religião é um conjunto de ideias que sobrevive na transmissão cultural porque parasita efetivamente outras estruturas cognitivas evoluídas."

O artigo é assinado por Ilkka Pyysiäinen, da Universidade de Helsinki, na Finlândia, e Marc Hauser, dos Departamentos de Psicologia e Biologia Evolutiva Humana da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Em entrevista ao Estado, Hauser disse que a religião "fornece apenas regras locais para casos muito específicos" de dilemas morais, como posições sobre o aborto ou a eutanásia. Já questões de caráter mais abstrato são definidas com base numa moralidade intuitiva que independe de religião.

Estudos em que pessoas são convidadas a opinar sobre dilemas morais hipotéticos mostram que o padrão de julgamento de religiosos é igual ao de pessoas sem religião ou ateias. Em outras palavras: a capacidade de distinguir entre certo e errado, aceitável e inaceitável, é intuitiva ao ser humano e independe da religião, apesar de ser moldada por ela em questões específicas.

"Isso pode sugerir como é equivocado fazer juízos sobre a moralidade das pessoas com base em suas religiões", disse ao Estado o pesquisador Charbel El-Hani, coordenador do Grupo de Pesquisa em História, Filosofia e Ensino de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia. "Entre os ateus, assim como entre os religiosos, há a variabilidade usual dos humanos. Há ateus tão altruístas quanto Irmã Dulce, assim como há religiosos tão dados à desonestidade e a faltas éticas quanto pessoas não tão religiosas."

Segundo Hauser, o ser humano não tem uma propensão a ser religioso, mas sim a buscar causas e propósitos para o mundo ao seu redor - o que muitas vezes acaba desembocando em alguma forma de divindade. Nesse caso, a religião seria um produto da evolução cultural, e não da evolução biológica. "O fato de algo ser universal não significa que faça parte da nossa biologia", diz o pesquisador de Harvard.

Ele e Pyysiäinen sugerem que "a maioria, se não todos, dos ingredientes psicológicos que integram a religião evoluiu originalmente para solucionar problemas mais genéricos de interação social e, subsequentemente, foi cooptada para uso em atividades religiosas."

Ao estabelecer regras coletivas de conduta, a religião funcionaria como uma ferramenta de incentivo e controle da cooperação - tanto pelo lado da salvação quanto da punição. "Que a religião está envolvida na cooperação não há dúvida. Mas dizer que ela evoluiu para esse propósito é algo completamente diferente", afirma Hauser.

(Fonte: Jornal O Estado de São Paulo - Terça-feira, 09 de Fevereiro de 2010 )

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Defesa pública de dissertação sobre “As variações espiritismo”

 

logocatolica

 UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO
PROGRAMA DE MESTRADO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

No próximo dia 22 de março acontecerá a defesa da dissertação de Adáuria Azevedo Farias de Medeiros, cujo título é: Práticas Espíritas Diversificadas: Variações de Conduta dentro de uma mesma Doutrina Institucional.
 
Allan_KardecX
 
RESUMO
Este trabalho versa sobre as práticas diferenciadas dentro de Centros Espíritas, com foco na doutrina organizada por Alan Kardec. Elaboramos este estudo com o objetivo de analisar os relatos dos espíritas (líderes) sobre suas práticas diferenciadas, buscando compreender, interpretar, para explicar tal fenômeno e sua causalidade, atentando para a subjetividade e suas representações. Para esse fim, utilizamos uma metodologia qualitativa e, como instrumento de pesquisa, optamos pelo uso de observações em dez Centros Espíritas. O estudo permite observar que, no universo espírita, existe diferença na prática da doutrina, dada a herança cultural, ou seja, os símbolos e mitos arraigados na sociedade e transmitidos através dos tempos geraram uma resistência aos novos hábitos, o que influencia diretamente na prática espírita. Desse modo, o “motivo” da variação das práticas diversificadas está relacionado com a aproximação ou distanciamento do conhecimento da doutrina pelos seus praticantes.
Palavras-chave: Ciências Sociais, Ciências da Religião, Espiritismo Kardecista, Allan Kardec, variação de conduta, religião, cultura.
 
DIA 22 de março
HORA 9h
LOCAL Anfiteatro 3º andar do G4
 
A defesa outorgará à proponente o título de mestre em Ciências da Religião.
Maiores informações no blog da UNICAP aqui.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Dossiê: Sociologia da Religião

 

tomo

A TOMO – Revista do Núcelo de Pós-graduação e Pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe, lançou volume com Dossiê Temático “Sociologia da Religião”. Segue abaixo a referência completa, o sumário, bem como os meios de acesso ao conteúdo integral da mesma.

TOMO
Revista do Núcleo de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe
Ano XI, nº 14, jan./jun., 2009.

SUMÁRIO

Max Weber e o misticismo oriental
Carlos Eduardo Sell


Novas configurações das religiões tradicionais: resignificação e influência do universo Nova Era
Silas Guerriero


Etnografia em grupos religiosos: relativizar o absoluto
Marcelo Ayres Camurça


Os novos movimentos eclesiais e a ética familiar católica: uma nova cristandade?
Heraldo Maués


Juventude nas igrejas e fora delas: crenças, percepções da política e (des) vinculações
Silvia Regina Alves Fernandes


As faces economicamente opostas do cristianismo no Brasil
André Ricardo de Souza


Os católicos carismáticos na universidade e na política
Carlos Eduardo Pinto Procópio


Um show destinado às massas: uma reflexão sobre o entretenimento religioso na esfera midiática
Karla Regina Macêna Pereira Patriota


“Nós acolhemos os homossexuais”: homofobia pastoral e regulação da sexualidade
Marcelo Tavares Natividade
Leandro de Oliveira

“Da macumba às campanhas de cura e libertação: a fé dos traficantes de drogas em favelas no Rio de Janeiro”
Christina Vital da Cunha

O volume pode ser acessado integralmente aqui.

Outros números e volumes da Revista TOMO disponíveis no site da Plataforma de Periódicos da Universidade Federal de Sergipe.

Relançamento de obra clássica de Mircea Eliade

 

c1256

A editora Jorge Zahar acaba de relançar a obra “História das Crenças e das Ideias Religiosas” (Volume I: Da Idade da Pedra aos mistérios de Elêusis). E promete para, em breve lançar os demais volumes desta monumental interpretação da história religiosa da humanidade.

Vejam abaixo a Sinopse publicada no site da editora, e o link para o site onde se poderá obter maiores informações.

SINOPSE

Esse é o primeiro volume da obra máxima do historiador romeno Mircea Eliade – o mais conhecido estudioso das religiões do século XX. O autor empreende, em ordem cronológica, a análise das manifestações do sagrado nas sociedades humanas, com um estudo singular dos momentos criadores das mais diferentes tradições religiosas do Oriente e do Ocidente. Seu percurso começa na pré-história e segue até o florescimento do culto de Dioniso na Grécia, passando pelas religiões mesopotâmicas, do Egito Antigo, de Israel, da Índia antes de Buda, da Grécia e do Irã. Sua inegável importância para a história das religiões e da cultura universal levou a Zahar a relançá-lo 30 anos depois da primeira publicação no Brasil.
Um trajeto essencial para se compreender como os elementos que povoam a vida religiosa dão forma às diversas concepções de mundo de cada povo.

(Fonte: Jorge Zahar Editor)

Clicando aqui há a possibilidade de se ler o Prefácio deste volume da obra.

Forte abraço!

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Um basta aos fundamentalismos

 

O fundamentalismo é reacionário. Uma reação à aparente absurdidade da ausência de um fundamento absoluto. Diante da constatação nietzscheana da “morte de deus” – ou, em outras palavras, da constatação que não há mais um deus que tudo reúne e justifica –, diante da pluralidade e do relativismo, o homem e a mulher desesperados agarram-se ao primeiro sinal de uma certeza absoluta. Mesmo que esta certeza contrarie tudo, absolutamente tudo, o que sua razão lhe diz.

O problema maior do fundamentalismo é que ele gera políticas de segregação e de dominação. Abre um abismo entre os que estão “com a verdade” e os que são “contra a verdade”. O fundamentalista só reconhece a capacidade do outro para a verdade na medida em que ele concorda consigo, seu maior desejo é a unanimidade. É como se, a partir  do número de novas adesões que sua ideologia conseguisse, ele se convencesse cada dia mais da veracidade desta. Em tal contexto, não há possibilidade de diálogo.

O fundamentalista tudo julga, critica, desde a certeza a priori de que seu conjunto de crenças, seu sistema de pensamento, tudo explica adequadamente. Ele não sente pudores em utilizar o leito de Procusto* para tudo fazer caber em sua teoria pré-concebida. Mutila, perverte, distorce os fatos para que confirmem a “sua” verdade.

Muito frequentemente um fundamentalista se coloca em posição acima de toda crítica. Se reveste de santidade, prestígio, pseudo-autoridade. E acaba por fazer seguidores. Cita fontes antigas que referendam seu ponto de vista tacanho, descontextualizando-as historicamente, aplicando sem maiores considerações princípios anacrônicos às situações contemporâneas. Por isso o fundamentalismo é mais frequente entre os diversos cultos religiosos.

Às vezes o fundamentalismo se transveste de ciência e de filosofia, reclama pela autoridade dos fatos e da razão, mas tão somente mascara a falta de uma visão mais ampla. Utiliza-se dos resultados da ciência e da filosofia de maneira parcial, instrumentalizando-os, mas despreza o contexto e fonte de onde promanaram.

O fundamentalista é um mestre das falácias! Distorce fatos, discursos, atitudes para “provar” seu ponto de vista limitado. Vira suas armas contra indivíduos e não contra argumentos, acusa sem razão, maldiz…

No fundo, por trás de tantas certezas, o fundamentalista é um inseguro.

Amamos o pecador, mas odiamos o pecado.


Este post poderia ter o subtítulo: “Relembrando a Santa Inquisição”. Mas, a frase que lhe dá título serve bem para ilustrarmos como raciocinam os fundamentalistas religiosos de plantão. Eu a tenho ouvido / lido quase diariamente em minhas discussões sobre a dignidade e os direitos da população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros), como se fosse um argumento irrefutável – ao lado da liberdade de crença e culto, que já analisamos anteriormente – para a não aprovação do PLC 122/2006 que criminaliza a homofobia.

A questão toda se resume nisso: amamos o pecador, mas como está em pecado ele não tem direito a estabelecer uma parceria civil, não tem direito a adotar, não tem direito a ser protegido pelo estado (em caso de sofrer qualquer tipo de violência por sua orientação de gênero), não tem direito a plano de saúde compartilhado ou à herança. De fato, o pecador não tem direito de existir! Foi assim que pensaram os “santos inquisidores”, tão mal compreendidos historicamente! Afinal, eles amavam o pecador, odiavam apenas o pecado. E, assim, agindo segundo a mais alta caridade cristã, condenavam outros seres humanos à morte na fogueira, não sem antes uma boa tortura, para amaciar o moral e ser liberto pela verdade. A escolha da fogueira era mais um golpe de sua imensa misericórdia e amor pelo pecador. A morte era lenta, assim havia a chance de, diante da dor, o pecador se arrepender e ter sua alma imortal salva no último instante.

Esse é o mesmo quadro que vislumbramos hoje. As bancadas religiosas amam tanto os pecadores homossexuais que desejam, do fundo de seus corações misericordiosos, que estes cidadãos e cidadãs sofram cada vez mais preconceito, discriminação e violência. Quem sabe assim eles não se arrependam de suas vidas pecaminosas e se salvem. Quem sabe assim a pseudo-psicóloga Rosângela Justino tenha de volta seu registro no Conselho Nacional de Psicologia, e seu ganha-pão, com o aumento de indivíduos arrependidos. Se alguns gays e lésbicas morrerem no meio do processo, tudo bem, são baixas de guerra: a guerra contra o pecado.

O que me assusta em meio a toda essa discussão é a facilidade com que lidamos com seres humanos a partir de categorias tão equivocadas como a de “pecadores”. Mas, é mais fácil. Uma categoria não pensa, não sente, não ama, não sofre… Uma categoria é apenas isso, uma categoria. Esquecemos tão prontamente que o que está em discussão com essa lei são direitos individuais das pessoas que tudo toma caráter meramente ideológico.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Encontro para a Nova Consciência 2010

 

clip_image001

Nossa, 2010 tá indo há mais de um mês, e eu até agora nem tive tempo para postar nada! Mas, tem nada não… dizem que o ano só começa pros brasileiros depois do canarval, né? Pois então, embora meu ano já tenha começado com força total – às vezes enm percebo que 2009 acabou –, o carnaval será um marco importante para mim. Por sugestão de João, meu companheiro, meu nome foi cogitado para uma palestra no Encontro para a Nova Consciência (http://novaconsciencia.multiply.com/ ). E não é que rolou?

Minha programação ficou assim:

V ENCONTRO SOBRE HOMOEROTISMO

Local: CEDUC 2 (UEPB)

Dia: Domingo (14/02)

Horário: 14h às 14:40min

Tema: RELIGIÃO E HOMOSSEXUALIDADE (Augusto César Dias de Araújo - Doutorando em Ciência da Religião – UFJF)

 

Logo após minha apresentação (14:40min às 15:20min) haverá continuidade na programação com a seguinte palestra:

AS FALÁCIAS DA INVERSÃO SEXUAL (Sérgio Viula - Ex-pastor e ativista GLBT - SP)

_____________________________________

João também participará este ano com a seguinte programação:

 

ENCONTRO DE CINEMA

Domingo, 14

9h às 10:30min

Como as questões éticas permeiam a produção audiovisual?

Vinícius Ramos (Professor e Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC - SP )
Glauco Machado (Cineasta e Antropólogo)

Mediador: Rômulo Azevedo (Professor, Jornalista, Diretor de Cinema –PB)

10:40min às 11:30min

Processo de Concepção Visual de Personagens de Animação

João de Souza Lima Neto (Professor - UFCG)

_a